quarta-feira, 9 de janeiro de 2008
Critérios de normalidade
sábado, 22 de dezembro de 2007
Amor em Tempos de Cólera
segunda-feira, 17 de dezembro de 2007
Questões sem Necessidade de Nome
segunda-feira, 10 de dezembro de 2007
Nota Antiga
quinta-feira, 29 de novembro de 2007
Entendimento
terça-feira, 20 de novembro de 2007
Paixão e amor: uma distinção necessária
Com isso, talvez eu queira abrir a possibilidade de pensar um encontro que não seja posto segundo a égide da alienação e do engodo, que não seja comandado pela idealização do outro e apagamento de si.
Então, por mais que a condição humana de dependência ao outro, necessária para existirmos, seja inexorável - pura condição do humano - acredito que a experiência passional é o resultado de uma impossibilidade de confronto com nossa limitação. Desta forma, a apixão visa o preenchimento de um vazio interior de si e preserva, de um lado, as idealizações e, de outro, a servidão.
Portanto, o paradoxo que se coloca para a condição do ser humano é precisar do outro como condição de ser e, ao mesmo tempo, só poder ser na exata medida em que aceitamos a nossa solidão.
Para Freud, existem diversos casos nos quais o estado de apaixonamento é definido como expressão do amor sensual, aquele em que o indivíduo investe libidinalmente um objeto, visando à realização sexual. esta é a definição mais simples para explicar o fato do indivíduo estar amando: o amor sensual. No entanto, como explicar a permanência do investimento no objeto de amor, quando a corrente sexual se desfaz? O que faz com que este investimento se mantenha de forma mais duradoura?
A ternura é a chave que possibilita compreender a manutenção do investimento no objeto, quando o desejo sensual é satisfeito. Este afeto está, em suas raízes, ligado ao desejo sexual e é resultado de uma inibição dos fins da pulsão sexual do amor filial.
A ternura é a corrente mais antiga e surge asociada à pulsão de autopreservação, dirigindo-se àqueles que cuidam do "bebê". Esta corrente afetiva é impregnada de um erotismo que empresta sua força aos investimentos das pulsões do ego. A corrente sexual está desviada dos seus fins sexuais pelas impossibilidades de realizar-se, vindo a desabrochar na adolescência, quando recebe nova carga de libido e não pode mais dela fugir. É a interdição do incesto que força uma procura para além das figuras paternais, para então realizar seu fim. Desta forma, dá-se 'a forma de amor normal', no qual o objeto será tanto investido como objeto de 'paixão sensual' como de ternura, como outrora foram os familiares que cuidaram da criança. É essa junção das duas correntes que fará com que seja possível ao sujeito, viver uma relação na qual o objeto é valorizado e, ao mesmo tempo, desejado como objeto de realização sexual.
Assim, para que possamos falar de amor, não poderíamos conceber a cisão entre a corrente sensual e a corrente terna, afetiva. O amor é, portanto, postulado como um sentimento que se desdobra em relação à um objeto, desde que não haja uma fixação qualquer neurótica (difícil hoje em dia). Essa fixação gera a frustração da realidade.
O objeto de desejo jamais levará à satisfação porque o que se busca não poderá nunca ser encontrado. Talvez aí esteja também uma das chaves para compreendermos a distinção entre paixão e amor; a apixão está na ordem pura da pulsão, ao passo que o amor leva em consideração outras demandas do sujeito que não seja meramente a realização pulsional.
Neste sentido, podemos pensar que a paixão amorosa, por sua dimensão de ligação e submissão ao outro, não permite a expressão da ternura. A ternura é dessa forma, um sentimento que não está na ordem da paixão. Assim, para que haja amor sensual, dirigido ao objeto da escolha amorosa, é necessário que não haja mais fixação aos objetos incestuosos; para que haja ternura é necessário também, que a barreira do incesto tenha se interposto, e que o objeto de desejo não esteja mais intrincado à ambivalente relação com os primeiros objetos do desejo infantil.
Para que a ternura possa emergir é imperativo que a alteridade do outro a quem se dirige este afeto seja reconhecida. Esta é uma das vias de se pensar a distinção entre a paixão e o amor, como também pode ser a chave para a compreensão dos entraves que se manifestam na paixão silenciosa...
domingo, 11 de novembro de 2007
sexta-feira, 9 de novembro de 2007
Vazio
sábado, 27 de outubro de 2007
Divagações nada filosóficas
quarta-feira, 17 de outubro de 2007
Poesia
E essa é pura dor e delícia.
"Ó doce irmã, o que você quer mais?
Eu já arranhei minha garganta toda
Atrás de alguma paz.
Agora, nada de machado e sândalo.
Você que traz o escândalo,
Irmã-luz.
Eu marquei demais, tô sabendo
Aprontei demais, só vendo
Mas agora faz um frio aqui.
Me responda, tô sofrendo:
Rompe a manhã da luz em fúria a arder
Dou gargalhada, dou dentada na maça da luxúria
Pra quê?
Se ninguém tem dó, ninguém entende nada
O grande escândalo sou eu aqui, só.
Eu marquei demais, só vendo
Aprontei demais, tô sabendo
Mas agora faz um frio aqui.
Me responda, tô sofrendo:
Rompe a manhã da luz em fúria a arder.
Dou gargalhada, dou dentada na maça da luxúria
Pra quê?
Se ninguém tem dó, ninguém entende nada
O grande escândalo sou eu aqui, só".
(Escândalo)
quinta-feira, 4 de outubro de 2007
A Banalidade do Mal
Um avião cheio de crianças e adolescentes cai numa ilha deserta, e os mesmos têm que lidar com a liberdade das regras socias que até então, determinavam seu dia-a-dia. Criam a princípio uma nova democracia ao escolher um novo chefe para se organizarem enquanto esperam resgate. Com o passar do tempo, se tornam caça e caçadores, gerando assassinatos e perversões.
O livro pode ser interpretado de inúmeras maneiras, uma delas é a abordagem da inocência perdida. Outra e bem interessante, é uma fábula com ecos bíblicos. "O Senhos das Moscas" é Belzebu, o príncipe dos demônios citado por Mateus. Podemos concluir que o selvagem atual era também uma criança cruel. A Psicanálise há tempos já tenta comunicar que a criança é um dos seres mais egoístas e desumanos, com perguntas boas demais, venenosas demais, ferinamente intimidantes.
Mas a questão que ficou pra mim foi básica: O instinto de sobrevivência gera pessoas selvagens? Ou, por intinto e pulsões internas, somos por essência, pessoas selvagens?
As rédeas sociais tentam disfarçar, dissimular o que é intrínseco humanamente: o mesquinho, a sordidez, a loucura. E vejamos que estamos precisando de outro tipo de leis e normas, porque estas em vigor, já não nos impele a cometer atos bárbaros e até mesmo genocídeos.
A brincadeira infantil, e por consequência a nossa, é machucar, não arcando com as consequências das pessoas maltrapilhas que deixamos pelo caminho. Em uma passagem do livro, uma das crianças imagina voltar à civilização, aquela que ele bem lembrava, onde não existia selvageria. E, hoje em dia, quem acredita nisso, nessa utopia que muitos fingem existir para continuarem sobrevivendo?
O "bicho" do livro, não é o bicho-papão, não é algo que se possa caçar e matar com uma lança, um revólver, uma faca. Nós somos o bicho , ele faz parte da nossa constituição. É a razão por qual ninguém se deixa ir embora tão facilmente, é a razão porque as coisas são o que são. Banais, simplesmente e humanamente banais.
Será que seremos sempre animais? Nunca seremos salvos?
"No meio deles, com o corpo sujo, cabelo emaranhado e nariz escorrendo, Ralph chorou pelo fim da inocência, pela escuridão do coração humano...". Golding.
segunda-feira, 1 de outubro de 2007
Por Uma Psicologia Ética
O que há de positivo na Psicologia nasce, não da omissão quanto à violência, mas do questionamento de toda pureza, de toda inocência, inclusive da nossa (alguém ainda duvida disso?).
Pergunta: Cadê a tomada pública de posição dos profissionais de saúde que dificilmente convertem sua teoria em ação?
Agir, para o pensador é divulgar seu conhecimento, é pô-lo a prova na sociedade, é checá-lo em seus efeitos, até, para quem sabe, modificar sua teoria.
Nosso dever é nomear a dor, essa dor que é a demanda de qualquer ciência humana, o enorme mal-estar no mundo. Ou não é certo que quase tudo o que se estuda sobre o homem tem a ver com algum nível de dor, chamem-se elas ciências humanas ou sociais? É reduzir com o ambicioso propósito de pôr-lhe fim, sem aceitar soluções que sejam placebos porcamente construídos.
Ao meu ver, uma psicologia ética exige que o analista saia do consultório, onde ele se instalou de maneira tão preguiçosa e procure ver nas formas de organização social, como as idéias e os afetos se embaralham de modo a saber como se preserva e mesmo amplia-se a injustiça.
Todos nós temos experiência disso, e presenciamos esses momentos de dor no confronto social, desde cenas de explícita crueldade e arrogância até instâncias de sofrimento compartilhado, em que sofre o opressor e sofre o oprimido, até porque são as relações, e não uma eventual maldade pessoal, que se mostram iníquas e geradoras de sofrimento.
Vamos realmente trabalhar e não apenas, fingir que trabalhamos.
sexta-feira, 21 de setembro de 2007
Qual a razão?
"Seja qual for o caminho que eu escolher, um poeta já passou por ele antes de mim". Sigmund Freud.
quarta-feira, 12 de setembro de 2007
Novos rumos para a análise
Todos os psicólogos passam por isso – e eles, todos – podem confirmar. Falou-se em Psicologia, logo as pessoas pensam em Freud, e se referem às suas teorias, que obviamente, não sabem explicar; lembram que o filho quer “comer” a mãe, perguntam se ele não era “um pouco louco”, afirmam que ele usava cocaína, portanto, era um viciado e para completar, que era um pervertido e só pensava em sexo.
Tentando esclarecer: nem todo psicólogo gosta de Freud, nem todo psicólogo, sequer, conhece a obra de Freud. E não, ele não era viciado, a teoria do “comer” a mãe é bem mais complicada e não era pervertido.
Dentro da ciência psicológica, há inúmeras formas de psicoterapia, diversas teorias – antigas, novas – entre elas: Gestalt, o Humanismo, o Existencialismo, a terapia Reichiana, a psicologia analítica de Jung, o psicodrama, e existe a psicanálise (o legado de Freud).
Eu me especializei em psicanálise, estudei Freud, Winnicott, Melanie Klein, Lacan, Bion e todos os psicanalistas “famosos”, por assim dizer. E não tenho dúvidas que todos eles me acrescentaram algo – fantasias, indagações, sorrisos, escárnios, preguiça, descontentamento, contentamento – mas, também não tenho dúvidas que pouco restou desta psicanálise que me refiro. As teorias foram mudadas, melhoradas, refutadas, corroboradas, e hoje a teoria freudiana veste outro tom de roupa.
Freud – para mim – foi o maior pensador do século XIX, e com exceções de alguns textos fantásticos que ainda são muito atuais, como: “O mal estar da civilização”, “Totem e Tabu”, e principalmente o seu melhor livro, o dos sonhos, hoje o velhinho com o seu famoso charuto não passa de uma imagem, uma fotografia antiga. Não que ele não seja responsável pela psicanálise atual, sem ele, ela não existiria, mas, a sua psicanálise – me desculpem, os que não concordam – ficou fora de moda e de uso.
As histéricas de seu tempo deram lugar aos neuróticos obsessivos, aos paranóicos, aos transtornos de personalidade borderline, aos depressivos e uma infinita gama de particularidades que Freud nem sonhou ou ousou escrever. E para acompanhar essa demanda, precisou-se estudar a adequação da psicanálise para os dias atuais.
Eis que surge Pierre Marty, e funda a Escola de Paris. Marty descobre então a Psicossomática. E é ela que toma conta – pelo menos, deveria – do cenário atual da análise. Com sua noção de “mentalização” ele conseguiu explicar doenças sérias, no caso, câncer, epilepsia, hipertensão arterial e tantas outras, como doenças bem recorrentes: angústia difusa, depressão essencial, enxaqueca, dores nas costas, distúrbios alimentares. Ele conseguiu provar que em uma teoria psicológica é possível que 2 + 2, seja 4, sem erros. Uma teoria que constata a presença de fatores psicológicos em praticamente todas as doenças físicas, de uma simples gastrite até um infarto. Faz anos que não vemos médicos desacreditarem da presença do fator psicológico. O trabalho interdisciplinar com o médico abre-se então para o psicólogo. E mais, abre-se um trabalho funcional para o paciente que procura um psicólogo.
Sem questionar a importância de Freud e de tantos outros psicanalistas importantes em suas determinadas épocas, se eu procurasse um psicanalista para me atender, a primeira pergunta seria: Você estudou psicossomática?