
Escrevi algumas críticas de filmes estrelados pela atriz norte-americana Jennifer Connelly quando contribuía para o "Caderno de cinema" e para quem me conhece não é nenhuma novidade que pra mim a Sra. Connelly ao lado da britânica Kate Winslet são as maiores atrizes cinematográficas do momento (momento = dez anos pra cá).
Jennifer estreou no cinema, ainda criança, sendo dirigida por nada menos que Sergio Leone em "Era uma Vez na América", fez magia ao lado de David Bowie em "Labirinto", encarnou uma homossexual no filme de John Singleton, "Duro Aprendizado", ainda pouco conhecida, ao lado de Antonio Banderas realizou o politicamente correto "De Amor e de Sombras" baseado no bom livro de mesmo nome da escritora chilena Isabel Allende. Com Jodie Foster produzindo e co-estrelando Billy Crudup, despeja sinceridade e dor no filme "Amor Maior que a Vida". Para muitos, seu melhor filme foi "Requiem para um Sonho" onde interpreta uma mulher viciada e prostituída. O reconhecimento do cinema popular ocorreu com o Oscar de melhor atriz coadjuvante (embora roube o filme) em "Uma Mente Brilhante". Em 2003 só não fez chover em "Casa de Areia e Névoa", uma das interpretações femininas mais consistentes dos últimos anos. Realizou junto com o diretor brasileiro Walter Salles, "Água Negra", um filme mal interpretado pela crítica em geral que não conseguiu capturar as nuances excepcionais do filme, e ela, mais uma vez, saiu ilesa de críticas negativas, assim como em "Hulk", um fracasso mundial que não mudou em nada sua filmografia. Nos últimos anos está gostando de fazer papéis de coadjuvante (papéis pequenos, não atuações pequenas), como: "Pecados Íntimos", "Diamante de Sangue" e "Traídos pelo Destino".
Jennifer é especial porque é diferente, é bonita sem apelar para uma sexualidade exacerbada, é mentalmente perturbada como evidenciam suas entrevistas, assim como as mesmas entrevistas revelam inteligência, bom humor e sensibilidade.
É politicamente correta (fez e continua realizando diversas promoções para diferentes causas sociais) sem ser careta. É indiferente aos holofotes, reclusa e concede entrevistas apenas para a divulgação de um novo filme.
Não tem medo de arriscar, já interpretou tudo quanto é tipo de gente em filmes independentes até os blockbusters, faz aquilo que acredita e isso se percebe pela força que empresta às mulheres que ela dá vida.
É diva sem ser esnobe, arrogante e super exposta. É elegante e não se repete.
No "Caderno de cinema" cheguei a escrever que Jennifer dá de 10 à 0 em atrizes super cultuadas como Fernanda Montenegro que já fez diversos papéis e tem sempre a mesma cara, o mesmo tom, os mesmos gestos, a mesma chatice. Connelly se desdobra e faz com que as pessoas se esqueçam dela para ajudar a personagem a ganhar credibilidade. De drogadicta, sem-teto, homossexual à alienada, esposa traída, esposa de esquizofrênico, faz tudo com perfeição, representa através do olhar (coisa bastante perdida hoje em dia no cinema norte-americano), da envergadura-postural, dos movimentos tênues, da loucura controlada.
Louca, linda, brilhante e perfeccionista. Alguém me prove que hoje tem gente melhor.






