sábado, 6 de junho de 2009

Suicídio


O corpo do ator David Carradine foi achado nesta quinta-feira num quarto de hotel. Pelo que tudo indica, o ator se enforcou. Uma pena, já que com a ajuda de Quentin Tarantino, ele havia sido re-descoberto e feito um lindíssimo e empolgante papel em "Kill Bill".
O filho da poeta Sylvia Plath (que também se suicidou), biólogo bem sucedido, de 47 anos parece ter "herdado" da mãe a vontade de se matar e o fez - assim como a amante do marido de Sylvia na época.

O suicídio é algo difícil de se entender, como psicóloga, a causa mais provável é a de agressividade que o indivíduo não consegue submeter ao outro que ele gostaria de machucar, por consequência, se transforma em auto-agressão. Mas nesse caso é apenas uma teoria para consultório.

Na literatura - em épocas muito diferentes, encontram-se diversos casos de suicídio, como em Dante na Idade Média, John Donne na Renascença, William Cowper e Thomas Chatternon na Idade da Razão, na agonia romântica e assim por diante.
Como algo que nos assusta e por isso, nos interessa, indico o maravilhoso livro do historiador, A. Alvarez: "O Deus Selvagem". Vale a pena pela literatura e pelas teorias fantásticas de quem estudou e pesquisou bem o assunto, além dos relatos de seu convívio com a brilhante Sylvia um pouco antes dela morrer.
Esclarece? Não. Mas já é um começo.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

This is the Last Time

Penso de maneira geral o acidente do Air France, mas a minha maior piedade vai para aqueles que nunca visitaram a França, àqueles que não iam a negócios, os que não realizariam nenhuma transação, mas àqueles que sonharam e planejaram por algum tempo uma viagem (provavelmente a dos sonhos) que jamais acontecerá.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

O Lutador


Por muita relutância deixei de assistir "O Lutador" nos cinemas. Por alguns motivos: Mickey Rourke sempre me pareceu um canastrão, a história me lembrava outros filmes de luta - principalmente os protagonizados por Sylvester Stallone (que foi chamado para interpretar esse filme, antes de Rourke, mas estava ocupado filmando Rocky Balboa), e as mensagens básicas desse tipo de filme são sempre as mesmas: Um lutador é obrigado a encerrar a carreira durante uma luta. Só que ele recebe uma proposta para enfrentar seu grande ex-rival, que pode permitir que retome a dignidade perdida.

Pois bem, aluguei o filme por outros bons motivos: Ganhou o Leão de Ouro no Festival de Veneza, orçamento pequeno e por consequência, Axl Rose (vocalista dos Guns N' Roses) cedeu uma das músicas de seu grupo sem qualquer tipo de pagamento, assim como Mickey Rourke e Bruce Springsteen não receberam cachê, um pela interpretação e o outro pela canção original indicada ao Oscar. E o maior e melhor dos motivos, o filme é dirigido pelo cineasta Darren Aronofsky, o mesmo de "Pi" e "Requiem para um Sonho".

Um de meus receios foi confirmado; a mensagem do filme é tipicamente a que escrevi acima, mas muitas coisas me surpreenderam, talvez porque não esperava muito dele, a interpretação de Mickey Rourke é realmente incrível, mas a minha intuição é a de que ele não interpretou um personagem, mas a si mesmo. Esquecido pelo cinema americano e desfigurado pelas plásticas, drogas e sabe lá mais o quê, ele é perfeito para o papel (e só de imaginar que o ator Nicolas Cage também foi cogitado, dá um certo alívio por não ter sido escolhido). Marisa Tomei, muito injustiçada também pela indústria cinematográfica, faz uma excelente caracterização, merecendo as indicações ao Globo de Ouro e ao Oscar. A canção de Springsteen é linda e vale a pena escutá-la muitas vezes e Darren Aronofsky é um bom contador de histórias e um excelente diretor de cinema, fazendo de algumas cenas simples, obras de arte.

"O Lutador" não é um grande filme, mas é um filme que fala e se comunica com o público sobre algo que todos conhecem: a perda da identidade quando deixamos de realizar o que gostamos, e por isso mexe com os sentimentos, sem ser sentimentalóide. Mas do que isso, é um filme sobre injustiçados, os de pouca sorte, ou os de muito azar. História e atores.
Que venham os próximos filmes de Mickey Rourke e Marisa Tomei.
Será que a sorte mudou de lado?

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Pirataria, em alguns casos, é necessária!


Aqui vai um pedido: lancem em DVD alguns títulos cinematográficos que por hora estão perdidos na era VHS. Tá certo, os filmes comerciais alugam-se e vendem-se mais, mas outros tipos de filmes também têm público. O mais recente exemplo é que estava comentando com uma amiga que queria reassistir "A História de Adéle H", de Truffaut da década de 70 e que tem uma interpretação iluminada de Isabelle Adjani (pra variar). Prcuramos no site da Livraria Cultura e não havia disponível - não havia, porque não existe. Essa amiga é persistente e por algum programa que desconheço (nada entendo de computadores), ela passou o filme para um dvd compatível apenas para o notebook.

Não sou a favor de pirataria de nenhum gênero, mas de vez enquando, não tem como não ser diferente, até porque se você quiser assistir alguma pérola um pouco mais antiga (e se for européia, na maioria das vezes), ou espera-se passar na televisão - algum dia, algum ano - ou usa-se da tecnologia existente no momento.
Pedido feito!!

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Apoiado

Falando em atrizes, entrevistas, textos e etc., coloco o link de textos (muito bem escritos) pela atriz brasileira Carolina Ferraz.

terça-feira, 19 de maio de 2009

So boring...

E não é que o chato do Lars Von Trier está de volta!! Tá lá em Cannes divulgando seu novo filme, "O Anticristo" e proclamando à todos os jornalistas - que odiaram o filme - que é o melhor cineasta do mundo (exatamente com essas palavras).
Pegando como exemplo seus filmes anteriores: "Dançando no Escuro" e "Dogville", fica claríssimo que o diretor precisa tanto de aulas de cinema quanto de humildade e boas maneiras.
Falando em pessoas humildes, no Caderno Mais do jornal Folha de São Paulo aparece a ilustríssima Fernanda Montenegro informando que na Europa ela só trabalharia com Antonioni e nos Estados Unidos, com Kubrick e Altman. E que atualmente só há um grande diretor de cinema: Pedro Almodovar.
Pois eu acho que atualmente há muitas grandes atrizes espalhadas pelo mundo, e que ela não está entre elas.
Quanta prepotência...

terça-feira, 12 de maio de 2009

Perfect


Algumas vezes uma sensação de inquietude me vem, e ontem ouvindo uma música, percebi que talvez muitos dos meus problemas venham exatamente da impotência de ser quem os outros querem que eu seja ou da minha tristeza de não ser quem eu gostaria de ser.

Sometimes is never quite enough
If you're flawless, then you'll win my love
Don't forget to win first place
Don't forget to keep that smile on your face
Be a good boy
Try a little harder
You've got to measure up
And make me prouder
How long before you screw it up
How many times do I have to tell you to hurry up
With everything I do for you
The least you can do is keep quiet
Be a good girl
You've gotta try a little harder
That simply wasn't good enough
To make us proud
I'll live through you
I'll make you what I never was
If you're the best, then maybe so am I
Compared to him compared to her
I'm doing this for your own damn good
You'll make up for what I blew
What's the problem...
why are you crying?
Be a good boy
Push a little farther now
That wasn't fast enough
To make us happy
We'll love you just the way you are if you're perfect
(Alanis Morissette - Perfect)

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Eastwood, Contardo e a Intolerância


Difícil imaginar o cinema norte-americano hoje sem a figura marcante de Clint Eastwood. Em meados de fevereiro postei nesse blog minha visão da parceria entre ele e Angelina Jolie em "A Troca" e retorno a falar dele em esse seu último filme: Gran Torino.

Gran Torino é filmado com uma simplicidade enxuta que traduz perfeitamente a brutalidade da intolerância. Eastwood faz o papel de Walt Kowalski, um veterano de guerra que depois da morte da mulher, vive metodicamente seus dias, e seus dias consistem basicamente em manter a sua casa organizada, cortar o cabelo, beber a sua cerveja e lavar e cuidar de seu maior bem: um Gran Torino 1972. O carro é coadjuvante e metafórico, ele é o único resquício de uma época que não existe mais. Um país prosperando, com uma forte indústria automobilística e sem imigrantes espalhados por todos os cantos.
Como se adaptar ao dias atuais? Ou se vira um eremita, ou aceita-se a multiplicidade ou morre-se ou mata-se pela intolerância pêlos que são diferentes.

Estou lendo o livro do psicanalista Contardo Calligaris, "Quinta-Coluna", em que em uma de suas crônicas ele fala do Engenho de Dentro, um bairro antigo na zona norte do Rio de Janeiro, onde um Honda Fit foi abandonado com uma cabeça sobre o capô e os corpos de dois jovens negros retalhados a machadadas, no interior do veículo. A reação dos moradores foi tão chocante como as brutais mutilações. Vários moradores buscaram seus celulares para fotografar os corpos, e os mais jovens riram e fizeram troça dos corpos. Contardo conclui dessa maneira: "Uma vez fechada a porta de sua casa, eles consideravam (e constatavam) que o espaço urbano pertencia a um povo que não tinha nada a ver com eles, um povo de drogados, bêbados, miseráveis e criminosos. Quem circulava naquele espaço não fazia parte de sua comunidade, são cadáveres do tráfico, destinados a intimidar drogados que não pagam suas dívidas. Nada a ver com a gente. Podemos festejar, pois os mortos são de uma outra tribo, uma tribo inimiga".
O fato é, que acreditamos nisso para que possamos viver melhor, sem culpa pela morte das pessoas que "não são parecidas" com a gente. Só que se a indiferença e a intolerância persistirem, ainda veremos por muito tempo corpos mutilados pelas ruas afora, meninos que invadem escolas com metralhadoras matando professores e alunos e massacres em geral ( e qualquer dia desses, nós podemos ser os "diferentes").

Clint mostra o carro, ele ainda está lá, mas ele significa algo que já não existe mais. E a pergunta é: O que faremos com o carro? O que fazemos diariamente com o simbólico que já não significa mais nada?

domingo, 3 de maio de 2009

Em resumo...

...que a gente possa, nesses dias, continuar sonhando, para que no futuro próximo, possamos viver nosso sonho. Talvez fique mais leve, menos duro viver agora, lutando para o amanhã ser melhor. Por você, pra você, com você.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Resposta ao Sr. Maratimba Atento

No dia 30 de Maio de 2008, postei no blog um texto sobre José Luiz Agdamus, e infelizmente alguns comentários sobre tal texto só li hoje.
Um cidadão anônimo que se refere como "Maratimba Atento" parece acompanhar o caso, mas não parece estar a par dos acontecimentos. O sr.(a) anônimo colou em meu blog partes de processos do qual até a família do Sr. Agdamus desconhece, e que não são verdadeiras, já que até nomes de advogados citados nunca foram contratados por parte do Sr. Agdamus ou dos seus. E pergunto ao tal anônimo - se ele continua a ler esse blog - mesmo que tais informações postadas por ele fossem verdadeiras, se ele acredita que a justiça brasileira é realmente boa em sua morosidade? Porque realmente, de minha parte, acho uma vergonha que um homem tenha que esperar 2 anos na cadeia pelo seu julgamento. E sim, uma das informações do Maratimba Atento é verdadeira: O Sr. José Luiz Agdamus foi condenado por nossa justiça "incrível" e pelo seu sistema elegantíssimo - vide, a demonstração de Gilmar Mendes na última semana.
Como psicóloga acredito não haver uma única verdade, e sim, pontos de vista, e essa que coloco agora é uma: A família da vítima mora na cidade de Marataízes há muito tempo, e os réus, Sr. José Luiz e Maria Silvia há 10 anos. E tivemos um júri popular, que acompanhei e porque não tenho outra palavra para descrever, foi um show grotesco, um show de horrores promovido pela promotoria. Até novela da rede Globo, o prezado promotor citou, comparando a vilã com a ré querendo com isso a simpatia dos jurados (menos esclarecidos, claro). E se o cidadão anônimo acompanhou o mesmo julgamento que eu, viu que fora os insultos, agressividade e falta de classe dos promotores, eles não tinham sequer uma prova contra os réus. Mas sabe como é, sr. Maratimba Atento, cidade pequena, mentalidade pequena, os jurados tinham que condenar alguém para confortar a família inconformada com a morte da vítima. E condenaram. Pois bem, o Sr José Luiz gostaria (já que estará em liberdade, essa semana) de saber quais são as histórias desabonadoras que o sr. mencionou, porque ele as desconhece e faz questão de conhecer.
José Luiz Agdamus e Maria Silvia Agdamus não esconderam seus nomes, seu endereço e estão prontos (em todos os momentos desse inferno) a responder e esclarecer os seus pontos de vista, diferente do senhor que se esconde atrás de pseudônimos.
Mostre a cara e jogue de igual pra igual.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

E mais nada

Linda música de José Messias na voz de Caetano Veloso:
"Madrugada chegou
O sereno caiu
Meu amor de cansaço
Caiu nos meus braços
Sorriu e dormiu
Eu só queria
Que não amanhecesse o dia
Que não chegasse a madrugada
Eu só queria amor
Amor e mais nada".

terça-feira, 21 de abril de 2009

Rituais

Quando a gente gosta, não tem jeito mesmo - tentamos lembrar de alguns episódios da vida passada e remontar no presente. Quando eu vou ao cinema e assisto algo bonito, eu falo sozinha: Fá, você iria gostar tanto desse filme, tenho certeza. Ou, Fabiana, essa música é a sua cara, se parece com aquela...que você tanto gostava.
Muitas vezes me vejo tomando café e pensando se meu pai gostaria de um copo, como ele sempre pedia. As vezes me sinto quase culpada por tomar e ele não. Em postos de gasolina de meio de estrada, esse pressentimento, sentimento ou sei lá qual o nome disso é sempre mais pulsante. Quando vou atender um paciente e não estou bem certa do procedimento ideal, eu peço à Heleninha que me guie, mesmo não acreditando que ela possa estar em algum lugar para me guiar.
E para os vivos eu faço o mesmo tipo de "oração", como se de alguma maneira enigmática eles pudessem me ouvir, mas eu sei que não ouvem, e são pedidos em vão de mim pra mim, de uma pessoa que desistiu de ficar na cama isolada dos outros por querer viver, e não sobreviver aos dias. Mas viver é tão difícil, sorrir muitas vezes é quase impossível, sonhar parece algumas vezes besteira, e eu ainda em trancos e barrancos não consegui entender como é que se vive, vou do céu metafórico ao inferno simbólico em menos de 5 minutos, e claro, recorro aos mortos para viver melhor com os vivos.
E não, não se aprende muita coisa com o tempo, aprende-se a realizar pequenos rituais para continuar, continuar, continuar...

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Um pedaço do Brasil


Em 1992 a Rede Globo colocava no ar a minisérie "Anos Rebeldes", sobre os anos da ditadura militar no Brasil. Um grande elenco para rememorar a estupidez cometida nos anos bárbaros.
Se hoje o Brasil não é lá grandes coisas e há gente que ainda não vê menor orgulho de chamar de pátria, recomendo comprar/alugar os Dvds lançados da série.

É bom lembrar que vivemos um reflexo de tudo que fomos, e que os tempos estão difíceis, mas que os tempos foram piores. Não me orgulho desse país, da corrupção estampada todos os dias nos jornais, na deselegância e incompetência de nossos governantes, do povo trabalhando duro e passando fome. Mas, se hoje podemos falar e escrever sobre qualquer coisa, se podemos dar nossa opinião contra ou a favor do governo, de incitar palestras, passeatas e escolher em quem votar foi por causa de pessoas incríveis que abdicaram de ganhos e vidas pessoais por uma causa. Essa causa não foi perdida e deve ser lembrada sempre, porque apesar de momentos horrorosos, houve também momentos de glória, de companheirismo, de solidariedade. Se uns viviam em total indiferença, outros davam suas vidas e morriam em nome dessa pátria. O Brasil não deve ser feito e lembrado apenas pelo seu futebol, pela mulata sambando no carnaval e pela cervejinha no bar. Por que não contar a história do Brasil a partir dessas pessoas extraordinárias?

Me recordo, no ano em que a série foi apresentada, no último capítulo, a repercussão causada pela morte de Heloísa (vivida pela fantástica Cláudia Abreu). As pessoas choravam e chamavam sua morte, de estúpida, sem associar que, muitos jovens, morreram exatamente daquela forma.
Não vou me prolongar falando de política, porque não é um assunto que eu domina e saiba dizer bem.

Anos Rebeldes foi um marco na televisão brasileira (nem só de porcaria vive a TV Globo), lembrar de algumas cenas antológicas, principalmente as contracenadas entre Cláudia e José Wilker, me fez muito bem. Torci de novo, chorei de novo, concordei e descordei de novo.
Assistir essa obra de Gilberto Braga pode (quem sabe?) incitar também às pessoas a pensarem diferente, agirem diferente, de uma forma menos apática, conformista e medíocre. Não é só sobre o nosso umbigo que o mundo gira.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

O quereres

Ela demonstrou tanto prazer em estar em minha companhia
Que eu experimentei uma sensação que até então eu desconhecia
De se querer bem
De se querer quem se tem
E ela me faz tão bem
Que eu também quero fazer isto por ela.

domingo, 12 de abril de 2009

Os Estranhos


Não assisti "Os Estranhos" (The Strangers) quando passava nos cinemas porque achei que era filme de terror, e alguns desses, prefiro assistir em Dvd. Então aluguei o supostamente filme de terror norte-americano que tem no elenco a bonitona Liv Tyler.
Problema: Ele não se encaixa nos moldes 'filmes de horror', mas segundo pontos de vista - inclusive o meu - o drama pode ser tão poderoso que se torna 'horroroso'. Lembro de me sentir vulnerável após o filme, mexida, pensativa, enfim, - para combinar com o título - estranha. Não que haja qualquer coisa nova no filme do diretor Bryan Bertino, mas há uma coisa que não queremos nos deparar nunca e por isso, na maioria dos casos, evitamos esse tipo de filme. O mal estar é gigantesco assim como o nosso medo de encarar os fatos ou como já disse Nelson Rodrigues: A vida como ela é. Exatamente como ela é. E ela é quase sempre um show de horrores e sempre de muito mal gosto.

A sensação foi muito parecida quando assisti "Violência Gratuita" (Funny Games) - o original. Tal sensação pode ser explicada porque os dois filmes falam da mesma coisa e numa linguagem muito similar. Os diretores dos respectivos filmes não querem nos poupar de cenas fortes, de atos arbitrários, de falta de consciência, de psicoses gravíssimas. Eles querem nos revelar. (Nos revelando também a respeito de nossos maiores medos).

Sinopse de "Os Estranhos": Kristen McKay (Liv Tyler) e James Hoyt (Scott Speedman) estão em plena viagem, rumo à remota casa de veraneio dos pais dele. Ao chegar depois de uma noite difícil, eles apenas querem descansar um pouco, mas o descanso é interrompido quando três estranhos mascarados invadem o local.
Quantas vezes nos deparamos com sinopses e histórias bem parecidas em outros títulos? Porque até para escrever a sinopse precisa-se ser ponderado, e não há como falar ponderadamente sobre invasão de domicílio, tortura, jogos psicológicos aterrorizantes e no final, morte estúpida. Logo, simplifica-se o processo.

Assisti "Os Estranhos" a noite, acompanhada e rememoro agora o que ela me disse (e nem estava na metade do filme), "não vou assistir mais, meu coração está doendo". O meu também doeu.
O filme é silencioso, quase todo o tempo - é como se assim pudessemos escutar os pensamentos de medo dos personagens que poderiam ser qualquer um, inclusive eu ou você que está lendo - e ele vai se arrastando e torturando cada um que assiste.
Três estranhos querem 'brincar' com o casal e eles quase não aparecem durante o filme, apenas são marcantes seus jogos de tortura, suas formas de impor suas presenças importunas e apavorantes e deles só se ouve uma frase durante todo o filme. A mocinha pergunta à eles o porquê daquilo tudo, e um deles responde: "Porque vocês estavam em casa". Simples assim, como em qualquer brincadeira. Os estranhos podem ser nossos vizinhos.

Esse feriado eu passei em uma chácara afastada de tudo e de todos e em determinado momento algo dessa natureza passou pela minha cabeça: e se alguém ou alguns quisessem ter comigo e minha acompanhante "funny games"? O que de fato, poderíamos fazer? Nada.
Esse é o nosso maior medo: a impotência de fazer qualquer coisa pela nossa sobrevivência.

Terror, suspense, drama? Eu acho "A Hora do Pesadelo" muito mais leve, já que nesse, os personagens para fugirem da morte, ainda podem acordar.