segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Mais um desabafo de mim pra mim mesma

Complicado muitas vezes caminhar - eu vou, entre meus espinhos, galhos e pedras internos - tentando não me fazer mal (mais do que é necessário). Vou chutando, gritando, berrando e assoprando depois para não desmaterializar, não enlouquecer e não deixar insanos aqueles que estão comigo, tentando de alguma maneira, desajeitada, me sentir viva. Escorre sangue imaginário, mas ele é vermelho, os fantasmas das perdas, dos fracassos, da culpa e de todos os sentimentos que dão um nó que não desata, irremediável.
Não sei se sei viver de outra forma, de alguma outra maneira, mas honestamente, meu corpo e minha cabeça imploram para que eu encontre uma saída e viva, sei lá, em paz. (Isso seria um recomeço).

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Livro e filme


"Um olhar do Paraíso", do diretor Peter Jackson, o mesmo da trilogia, "O Senhor dos Anéis", é um filme medíocre. O diretor erra a mão nos efeitos especiais (que parece ser o forte dele) e paisagens criadas por computadores e não foca o essencial do roteiro baseado no livro de Alice Sebold, que aqui no Brasil teve o nome de "Uma Vida Interrompida", que é a dramaticidade de uma família em luto pela perda de Susie, uma menina de 14 anos que é brutalmente estuprada e assassinada - claro que o Sr. Jackson não mostra "a parte do estuprada". O filme é um conto de fada com um pouco de suspense barato, enquanto o livro é denso, mordaz, cruel - como é a própria vida.

Não sei porque alguns diretores evitam mostrar em seus filmes, a barbaridade, a crueldade, e todo o resto de maldade que existe em nossa sociedade (e os filmes que o fazem, são criticados), já que basta a gente abrir o jornal para nos depararmos com crimes e fatos hediondos.

Peter Jackson criou um "Alice no País das Maravilhas", de mais de 2 horas, que cansa qualquer um que tenha bom senso.
Ele revisita um de seus primeiros filmes, "Almas Gêmeas", com a estreante, Kate Winslet que ao lado da amiga mata a mãe e se refugia em um mundo paralelo. Só que as histórias eram diferentes, e naquele, funcionou, em "Um Olhar do Paraíso", é tudo clichê.

Sobra de consolo, a presença da graçiosa e talentosa atriz, Rachel Weisz. De resto? Leiam o livro.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Vitrolinha triste na terça de carnaval

And when you think you've sinned
Do you fall upon yourn knees?
And do you sit whithin your picture?
Do still forget the breeze?
And she may rise, if I sing you down
And she may wisely cling to the ground
Cause I'm lately horny
So why would she take me horny?
Obs: Juliana, querida, minha honey baby, eu estou ao seu lado, para eventualmente o que você quiser. Daqui uns meses estaremos na mesa do bar novamente, porque estar ao seu lado é incrível, é divino, maravilhoso, porque você conheçe o meu buraco negro na alma, as loucuras, e todo o resto, e apenas porque te amo.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Há tanto tempo que te amo


Em alguns casos eu demoro para ler, assistir, escutar determinadas obras - em alguns casos porque não as encontro, outras por descaso - "Há tanto tempo que te amo", filme de Philippe Claudel, decididamente foi a primeira opção. Desde que estreou nos cinemas brasileiros minha vontade de assisti-lo era imensa, mas não passou nos cinemas daqui e só agora o localizei na locadora.
Valeu a espera, valeu cada minuto dos 116 que o longa possui e valeu cada lágrima.

A atriz inglesa, brilhante, Kristin Scott Thomas (esquecida pelo público) protagoniza esse filme de sensibilidade imensa e só tive olhos pra ela em sua atuação magistral.

Siinopse: Juliette retorna à familia e à sociedade após 15 anos na cadeia. Apesar de uma separação familiar drástica no passado, sua irmã mais nova decide abrigá-la em sua casa e aos poucos a trama revela o que há por trás da tragédia que manteve Juliette afastada por tanto tempo da vida real.
Claro, se presumirmos que a detenção não seja a vida real...

Como presenciei de perto e na pele, pessoas queridas que foram separadas do âmbito social e detidas em penitenciárias, sei bem da dificuldade de se tornar a viver, neste que chamamos mundo real. Os olhos fundos, desanimados de Juliette é mostrado muitas vezes em close-up, para que possamos de alguma meneira entrar na pele, nos misturarmos com sua dor e aflição, registrar a dificuldade de viver, seja em que lugar for, da necessidade imposta pela sociedade de se readaptar, dialogar com as outras pessoas que permaneceram.

Há tanto tempo que te amo poderia ser um grito, ou uma fala delicada (nem um, nem outro acontecem) de uma irmã para outra ou de Juliette para a mãe que a abandona, para o filho morto...
A cena em que as irmãs se confrontam é de perder o fôlego e de examinar em nós, cada culpa existente que levamos vida afora. Manifestamente o filme é sobre culpa, mas o latente do longa é sobre amor, redenção e segunda chance.

Fime francês encantador com uma atriz inglesa estupenda. Vale muitíssimo a pena!

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Sempre as horas

Eu te amo nas delicadezas do dia-a-dia, nos cuidados cotidianos que é a minha felicidade - como diria Mário Quintana...

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Lixo

Me desculpem (ou não) os crentes, os católicos e essa raça toda que frequenta uma igreja que apóia a barbárie humana, mas cada vez mais a religião e seus "donos" me enojam, me deixa indignada até com aqueles que acreditam e muito mais por aqueles que apóiam atrocidades dignas da Idade Média.
A última notícia é de que a sua excelência -na ironia - o papa Bento 16, voltou a se posicionar contra a comunidade gay. Criticou um projeto de lei britânico que pode tornar ilegal a discriminação contra homossexuais. Voltou a afirmar que o casamento entre pessoas do mesmo sexo é contra a dignidade das pessoas e outras bobagens do mesmo nível. Pergunta: Têm gente que beija o solo que esse miserável pisa? Um ato desse nível é tão grandioso quanto atos nazistas. Não só digo que esse bando de ignorantes é uma praga maior do que qualquer outra, mas que por ato divino (se deus existisse, pediria que os eliminassem de uma só vez - pena que esse deus não exista).
Não beijo e jamais beijarei e bajularei uma escória dessa, e se puder ainda jogo pedra, sou violenta com quem gera uma violência arcaica.
E podem me jogar pedras por esse desabafo, mas é que a minha tolerância pra cretinices está muito baixa.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Quentin, Maggie e Penélope!!!


Seguindo a linha do Globo de Ouro, os nomeados ao Oscar são aqueles mesmos.

A minha torcida é apenas minha, porque parece que o James Cameron vai abocanhar tudo novamente, então apenas deixo registrado que meu filme favorito é "Bastardos Inglórios", mesmo sem ver o filme "Guerra ao Terror", porque não sou fã do gênero 'Guerra'. Diretor é sem dúvida, Quntin Tarantino porque incentiva um filme de idéias, roteiro e atores sem substituir os conceitos principais por efeitos computadorizados.

E minhas atrizes coadjuvantes favoritas (nenhuma vai ganhar), Penélope Cruz pelo esperadíssimo -pra mim - "Nine", e Maggie Gyllenhaal (foto), por "Coração Louco" - alguém sabe quando esse filme estréia??

E Avatar? Ai, tem que ter paciência...

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Scarlett Johansson e Pete Yorn


Não é que a talentosa atriz Scarlett Johansson - de "Encontros e Desencontros", "Match Point" e "Vicky Cristina Barcelona" - é também talentosa como cantora? Quando ouvi alguns meses atrás que ela havia lançado um disco, ouvi o comentário com descrença, já que estou cansada das atrizes-modelos-cantoras-apresentadoras.

Mas seu disco ao lado de Pete Yorn, "Break Up" é orgasmático e não sai aqui da vitrolinha. Encantador, dançante, inteligente, bem tocado, bem produzido, as músicas te levam ao paraíso (sim, ele existe aqui na Terra).
Pontos fortes do disco: "Blackie´s Dead", "I Don´t Know What to Do" e a que está tocando direto na MTV, "Relator". O videoclipe também é incrível!!

"Anywhere I Law my Head", o primeiro e outro disco da graçinha e talentosíssima Scarlett, ainda não ouvi, mas sei que têm músicas de Tom Waits e participação especial de David Bowie. Querem mais??

Super recomendado.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Alguns livros


Demorei quase um ano para terminar a obra do argentino Alan Pauls, "O Passado". O livro que foi transformado em filme com o bonitinho Gael Garcia Bernal. Não sei qual é o mais chato, o livro ou o filme; me parece que o autor quis revisitar um pouco da escola literária romântica, porque há tantas descrições e tão poucos diálogos que se ele fosse objetivo, o livro teria 100 páginas e não quase 500.

Mas falando de coisa boa, não é só de José Saramago que a literatura portuguesa vive atualmente. Me foi apresentado o escritor José Luis Peixoto, com seu livro incrível, "Uma Casa na Escuridão". A escrita é de uma beleza indescritível, e é um daqueles casos em que a tristeza, o caos, a desordem podem se tranformar em algo belíssimo. Porque de alguma maneira a tristeza é bonita. Fácil é enxergar beleza no belo, difícil é ver beleza no feio.

"Dentro de mim, havia aquele cemitério a anoitecer, o frio insuportável de um inverno distante, um inverno na memória e frio, mais frio, ainda mais frio, insuportável e mais frio ainda. Um inverno que se recorda por ter sido o inverno mais frio da vida. Um inverno inteiro. Todas as noites de um inverno passados no cemitério. Um inverno frio de mármore. O frio daquela campa, daquele corpo e daquele amor definitivamente sepultado no interior da minha pele, em cada instante da minha pele de mármore, na cara, no pescoço, no peito. Carne congelada, sangue congelado, escuridão congelada".

E pra terminar, comprei e já li um bocado do novo livro da Lionel Shriver, a mesma de "Precisamos falar sobre o Kevin", chamado: "O Mundo Pós-Aniversário". O desenrolar é sobre uma mulher casada há nove anos que sente atração por um outro homem, e simultaneamente o livro conta a vida dela em dois casos, se ela traísse o marido e se ela não o fizesse. Parece banal, mas tô achando que nada, nenhum assunto que essa mulher escreve é banal. Muitíssimo bem escrito, que prende o leitor e com coração, o coração que falta na obra de Alan Pauls que tirando a beleza estética do livro não sobra nada além do tédio.
Obs: a foto é da escritora Lionel Shriver. Sou fã já, muito fã.

sábado, 16 de janeiro de 2010

Uma Viagem por Paris


"Um tributo sem falhas a Paris e ao espírito da infância", diz o Jornal New York Times, sobre o filme francês "A Viagem do Balão Vermelho". Concordo plenamente, mal o filme começou e eu já estava emocionada.
Apresentado em Cannes, o filme conta com a presença marcante da já tarimbada, Juliette Binoche (Quais são as nomeações ao Globo de Ouro, mesmo?). Assim como qualquer filme francês que se preze, o filme não fala de nada em espcífico mas abrange o mundo. E o mundo nada mais é que o cotidiano das pessoas.

Uma mãe, um filho pequeno e uma babá são o contexto para divagações sobre a capacidade imaginativa que pode despertar na gente uma outra forma de encarar os problemas (muitos) da vida. O filme é permeado de arte: a mãe é uma artista de marionete, a babá é estudante de cinema e o filho aprende com as duas a jornada mais difícil hoje para uma criança que está crescendo: sonhar. E a gente sonha junto, junto dele, junto do balão vermelho que cruza a cidade de Paris, não só a retratada nos cartões-postais, mas a Paris suja, caótica, como qualquer megalópole.

Um filme verdadeiro, triste/feliz, emocionante. Para definir melhor, fico com a crítica do Chicago Tribune: "Uma obra prima".

Obs: na camiseta do menino com letras garrafais aparece: Change the World. Comecemos a mudar o mundo apreciando o que há de melhor e dividindo tais coisas com quem gostamos, por isso, procurem a locadora mais próxima!

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Cantando baixinho:

I'm so much older than I can take...

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Impressões sobre os nomeados ao Globo de Ouro


Vendo a lista dos indicados ao prêmio Globo de Ouro só enxergo mesmice. Fora a nomeação do sensacional "Bastardos Inglórios", do espetacular Quentin Tarantino, que dirige como se estivesse brincando com as mais numerosas referências cinematográficas de todos os tempos, os outros nomes são quase nada.

Mais uma vez, a atriz Meryl Streep é indicada, não uma vez, mas duas na mesma categoria. Não acho ela ruim, mas basta esta mulher fazer qualquer coisa que é indicada, uma chatice só.
Julia Roberts por "Duplicidade"? Sandra Bullock por "A Proposta"? Devem estar de brincadeira!
E mais uma vez os mesmos: Hellen Mirren, Morgan Freeman, George Clooney, e o engodo chamado James Cameron. Será que ele vai ser o rei do universo novamente?

Dos nomeados enxergo simpatia imensa apenas pela grande atriz, Julianne Moore e pela já premiada, Penélope Cruz e seu mestre, Pedro Almodovar. Mas não são eles que irão levar...

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Com o coração, sempre...


Eu empresto as palavras do escritor uruguaio, Eduardo Galeano, em seu livro: De Pernas pro Ar, como as últimas desse ano que expressam o que penso e sinto:

"Que tal começarmos a exercer o jamais proclamado direito de sonhar? Que tal delirarmos um pouquinho? Vamos fixar o olhar num ponto além da infâmia para adivinhar outro mundo possível:
o ar estará livre de todo veneno que não vier dos medos humanos e das humanas paixões;
nas ruas, os automóveis serão esmagados pelos cães;
as pessoas não serão dirigidas pelos automóveis, nem programadas pelo computador, nem compradas pelo supermercado e nem olhadas pelo televisor;
o televisor deixará de ser o membro mais importante da família e será tratado como o ferro de passar e a máquina de lavar roupa;
as pessoas trabalharão para viver, ao invés de viver para trabalhar;
será incorporado aos códigos penais o delito da estupidez, cometido por aqueles que vivem para ter e para ganhar, co invés de viver apenas por viver, como canta o pássaro sem saber que canta e como brinca a crianá sem saber que brinca;
em nenhum país serão presos os jovens que se negarem a prestar serviço militar, mas irão para a cadeia os que desejarem prestá-lo;
os cozinheiros não acreditarão que as lagostas gostam de ser fervidas vivas;
os historiadores não acreditarão que os países gostam de ser invadidos;
os políticos não acreditarão que os pobres gostam de comer promessas;
o mundo já não estará em guerra contra os pobres, mas contra a pobreza, e a indústria militar não terá outro remédio senão declarar-se em falência;
a comida não será uma mercadoria e nem a comunicação um negócio, porque a comida e a comunicação são direitos humanos;
os meninos de rua não serão tratados como lixo, porque não haverá meninos de rua;
os meninos ricos não serão tratados como se fossem dinheiro, porque não haverá meninos de rua;
a educação não será um prvilégio de quem possa pagá-la;
a polícia não será o terror de quem não possa comprá-la;
a Santa Madre Igreja corrigirá os erros das tábuas de Moisés e o sexto mandamento ordenará que se festeje o corpo;
os desesperados serão esperados e os perdidos serão encontrados, porque eles são os que se desesperam de tanto esperar e os que se perderam de tanto procurar;
a perfeição continuará sendo um aborrecido privilégio dos deuses; mas neste mundo confuso e fastidioso, cada noite será vivida como se fosse a última e cada dia como se fosse o primeiro".

Sonhamos com tantas coisas irrelevantes, se é para sonhar, que sonhemos grande e com o coração!

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Que venha 2010!

Dia 18 de dezembro de 2009 e eu já vou desejando boas festas...
Desejo mais união e risadas para os meus, e que o dinheiro venha como consequência. Desejo que a "esperança ainda continue grudada na carne" dos meus e de todos. Que a maldade, a desonestidade, a falta de respeito e gentileza não predomine sobre todas as outras coisas boas que nos tornam o que chamamos de "humanos".
Que não só a arte nos salve do absurdo, do caos, do psicótico - quem sabe apareça o Homem - Aranha? Ou apenas que consigamos ainda acreditar em algo, e que essa alguma coisa seja melhor.
Melhor para os meus - Ka, Má, Rogerinho, Mami, Pedregulho e a já muito amada, Malu, minha imensa e querida família, e os amigos, poucos, mas os de sempre! e melhor para aqueles que dão de si, o melhor!

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Alguma indignação e campanha

É desolador constatar que cada vez mais a corrupção toma conta desse país, averiguar que a impunidade não tem fim, que nosso presidente sempre fica em cima do muro e que nossa perspectiva para o futuro não é melhor.
Nos últimos anos a maioria dos brasileiros têm que se contentar em votar "no menos pior" e hoje não há nenhum nome que nos dê esperança. Já digo de antemão que não voto em hipótese nenhuma em Dilma, nem em José Serra ou qualquer partidário do PSDB. Cadê o Gilberto Kassab nesses dias de enchentes avassaladoras na cidade de São Paulo?
Mas o importante é que o Brasil será a sede da Copa do Mundo e o Rio de Janeiro das Olimpíadas. E tá tudo certo.
Quando o assunto é política o texto é curto porque não aprecio tragédias desse porte. Tragédia só no contexto artístico.
Obs: Quem estiver na cidade de São Paulo nessa sexta-feira, colabore com a campanha da apresentadora, Adriane Galisteu, na luta contra a AIDS e contra o preconceito adquirindo uma camiseta da campanha.
Vários carrinhos da Nestlé estarão espalhados pela cidade, na frente de todos os shoppings e parque Ibirapuera - para quem não faz questão de encontrar a apresentadora. Quem quiser comprar a camiseta e trocar umas palavrinhas com ela, é só aparecer na Oscar Freire em frente da loja da Iódice entre às 10:00 às 22:00h.
Em um mundo tão consumista, onde se vende até mãe, filho e etc, não custa muita coisa gastar seu dinheiro em algo que possa, futuramente, ajudar alguém.
Que nos mobilizemos sempre em coisas que valham a pena! Convite feito.