quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Vida em Família

Estou aqui com a primeira temporada da série norte-americana, "Brothers and Sisters". Assisti pouco dela e mesmo assim já digo que gosto, mesmo com os clichês característicos: pai morto, mãe alienada, filho homossexual, filho perdido, e filhas neuróticas. (Ponto a favor: As talentosíssimas, Calista Flockhart, Sally Field e Rachel Griffiths).
Gosto, porque quando assisto me vejo, encontro detalhes sórdidos, vívidos e esperançosos em mim e nas pessoas da minha família, porque se é clichê, é porque basicamente, assustadoramente, eles acontecem de monte (seria essa frase um clichê?).

Aprendi quando pequena a me infiltrar na biblioteca do meu pai, a folhear as páginas e conquistar uma estante só pra mim - seria por isso a minha adoração por livros? Mostrava a meu pai algumas coisas que ele não conhecia, e na minha imaginação - não sei se foi algo real, concreto - ele gostava. Uma das mais vivas é a de assistir os filmes do Quentin Tarantino com ele, e quando comprei os Dvds, o peguei muitas vezes assistindo e dando risada com as cenas bem pitorescas do "grande" Quentin. Logo depois, ele curtiu "Cães de Aluguel".
Ele ouvia minhas músicas e pedia pra botar pra tocar. Acho que o silêncio o incomodava bastante. E como uma coisa leva a outra, eu ouvia o que tocava no rádio do carro dele. Lembro da pequena viagem que fizemos, ele me levando para o aeroporto, de madrugada, e a gente conversando sobre a vida dele, das dificuldades da adolescência, da pouca grana, da muita vontade - e tocava de fundo um antigo disco do Roberto Carlos, que ficou marcado em mim, porque a conversa foi boa e talvez, porque o disco seja bom.

Minha prima quando me viu ouvindo umas músicas tipo New Kids on The Block (eu tinha meus 12 anos), me levou para seu quarto e mostrou seus discos. Lembro de alguns deles: Sex Pistols, The Smiths, Rage Against The Machine, Black Sabbath e um disco duplo do Caetano - que hoje é um dos meus preferidos. E não sei se por acaso, esses discos e bandas entraram em minha vida e nunca mais saíram. Mostrei o disco "Mais", de Marisa Monte à ela, e ela gostou e o escutava. A última vez que a vi conversávamos sobre o disco ao vivo da banda Portishead. Ela amava, eu amo.

Não tenho nada de muito em comum com minha mãe e com minha irmã, mas de alguma maneira, de forma boa, penso eu, elas me influenciam todo o tempo, com conversas, atitudes, comportamentos. Uma vez, minha irmã disse que quando ouvia "Esquadros", da Adriana Calcanhotto, como mágica, pensava em mim, na parte em que a canção diz: "Eu ando pelo mundo prestando atenção em cores que eu não sei o nome, cores de Almodovar, cores de Frida Kahlo, cores...". Não sei bem o motivo, mas me emocionei.

Primas, primos, tios, tias, uma variedade de gente e de gostos e de posturas que interferem na sua vida e faz com que você aprenda, mesmo muitas vezes, não de maneira agradável a se posicionar de outra maneira.

Eu tenho um sobrinho, pequenino, e sempre lhe dou de presentes, livros - para ele já ir montando a sua "estante", discos e filminhos, porque é o meu único legado. Não sou corajosa, não sou talentosa de maneira prática, sou prepotente e orgulhosa, já muito cansada, e isso, eu queria que ele não notasse, não percebesse. Não sei se é possível, mas tento arduamente, todos os dias que ele veja apenas as cores de Almodovar em mim.

Família é clichê. Na minha há os neuróticos, os homossexuais, os alienados e os problemáticos. Na família de todos...
Talvez por isso, valha a pena conferir, "Brothers and Sisters". E como clichê, chorar em muitas das cenas.

sábado, 24 de outubro de 2009

All you need is love





Comemorei meus 30 anos junto das pessoas que eu amo. E isso já é o suficiente.
Os amigos de longe: de Campinas, do Rio, de Sampa, de Manaus, de Vitória, e daqueles que já não estão mais em nenhum lugar fazem sempre uma falta dolorida. Mas comemorar é saber comemorar internamente a presença daqueles que ficaram ausentes fisicamente.
Amo vocês.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

"Não é televisão, é cinema!"


A frase acima é do autor do livro "O Clube do Filme", David Gilmour, pai de Jesse, um garoto de 15 anos que fracassa na maioria das disciplinas escolares e se mostra entediado, cansado e chateado por ter que frequentar a escola. Gilmour então propõe o seguinte ao menino: não precisa ir à escola, não precisa trabalhar e nem pagar nenhuma conta dentro de casa, Jesse só precisa assistir 3 filmes por semana escolhidos pelo pai e acompanhado do pai. E sobre os olhares reeprensivos dos vizinhos que enxergavam dia e noite o pai e filho sentados numa poltrona assistindo televisão, David tinha vontade de gritar: Não é televisão, é cinema. E que fique claríssimo a diferença.

O filósofo nada ortodoxo, Paul Feyerabend, em seu livro "Contra o método" discursa a favor de práticas alternativas no ensino das crianças e adolescentes. Por que eles têm que aprender apenas as ditas "ciências sérias"? Por que não ter aula de mágica?
E essa é a pergunta que eu faço: Por que não ter aula de cinema, ou de música? Ao meu ver, e pode ser bem parcial, já que aprendi com a arte cinematográfica muito mais que as aulas de física, química e matemática juntas, o cinema pode e é um dos recursos mais agradáveis e eficazes de educação. Não essa educação tradicionalista que finge que o mundo não está mudando, mas a educação de conscientizar o jovem de que ele pode pensar por ele próprio, sem ser forçado a se confrontar com teorias, que provavelmente jamais terá de utilizar o resto da vida.

Na história de sua vida, David Gilmour não optou pelo mais fácil. Não é fácil não saber se o que ele premeditou, se o seu legado de crítico de cinema e conhecedor da sétima arte funcionará com o filho, se através do cinema, ele vai adquirir vontade de viver a sua própria vida. Não deve ter sido fácil esperar 3 anos para ver seu filho indo pra vida, mas deve ter sido inesquecível se sentar ao lado do filho e não só assistir aos filmes, mas ter com ele, conversas francas sobre a vida dos dois. O cinema tem esse poder: o de aproximar a nossa vida, a nossa consciência daquilo que a gente vê.

Quantos pais matriculam seus filhos nas melhores escolas, cursos de idiomas, aulas de ginástica, tênis, violão e o raio que o parta, mas não têm o menor conhecimento do que se passa na cabeça, no cotidiano e na vida desses filhos?

David e Jesse Gilmour aproveitaram (e não perderam) 3 anos de suas vidas para se conhecerem, para se respeitarem e consequentemente, para assistirem alguns filmes.

Obs1: E não é que David Gilmour além de ter sugerido os "ditos" clássicos, também assistiu com o jovem Jesse, porcarias, como ele mesmo escreve, como "Showgirls", "Robocop" e "Rocky 3"? Não se aprende apenas com o que é bom. Precisa-se de parâmetros para SABER o que é bom.
Obs 2: Fiquei surpresa e feliz que o livro esteja entre os mais vendidos. Espero que as pessoas saibam aplicar alguma coisa dele em relação aos que querem bem.
Obs3: Que vontade de reassistir "Amores Expressos", de 1994, do diretor Wong Kar-Wai. Depois do término do livro, fui correndo para a locadora, mas não tinha sequer uma cópia. Será que precisa-se comprar esse tipo de filme (não que isso seja desagradável, muito pelo contrário) para ter acesso? E a grande maioria? Fica sem assistir mesmo...

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Maitê Proença e Portugal

Pelo programa de televisão "Saia Justa", a atriz brasileira Maitê Proença visitou Portugal e conseguiu ofender todos os portugueses.

Não acredito que ela tenha ofendido apenas os lusitanos mas aos brasileiros que acham indigno uma pessoa visitar um determinado local e tecer comentários sem conhecimento de causa (Maitê chama o Tejo de mar) e piadas sem graça, insinuando que os portugueses são burros e falando que os considera um povo estranho. Se não bastasse a falta de conhecimento geográfico, conhecimento sobre a história de Portugal, a atriz mostra também a falta de educação e bons modos ao cuspir em uma fonte que é um monumento histórico do país.
No Youtube, o vídeo se proliferou e dele derivou outros tantos vídeos, como o de canais de televisão de Portugal sobre o comportamento da "atriz-apresentadora-escritora-dramaturga"???

Mas o que mais me impressiona não é exatamente o que Maitê Proença fez. Dela escrevi há pouco tempo aqui, dizendo sobre a sua pouca gentileza. O que me causou alguma revolta é averiguar que a maioria dos brasileiros que deixam seus comentários sobre os vídeos no site do Youtube, se posicionam a favor dela e contra os portugueses, que com razão, se revoltaram. Logo, a conclusão que se chega é que Maitê Proença não é algo isolado do que significa o povo brasileiro. Teve as mesmas atitudes que a maioria de nós teríamos. Degradamos uma nação, que não é a nossa, e rimos dela e se não bastasse achamos que temos razão. Depois é o povo lusitano, o povo estranho?

Devíamos era nos envergonhar e pedir desculpas por ela, e entender que se fosse o contrário, alguém de outro país visitasse o nosso e achasse graça em cuspir no Cristo Redentor, faríamos exatamente o que os portugueses fizeram: se indignaram.

Outro vídeo no Youtube é o da atriz pedindo desculpas à nação portuguesa e dizendo que brasileiro é assim: leva tudo na brincadeira e que a gente brinca com o que a gente gosta e aprecia. Alguém entende isso? Porque eu não entendi.

É por esse e tantos outros espetáculos promovidos por tanta gente que nasceu aqui - e que achamos que são fatos isolados - mas que representa todo um comportamento de uma nação é que faz com que eu goste cada vez menos e tenha pouquíssimo orgulho de ser brasileira.

Convido todos à irmos para Salvador e cuspir dentro da Igreja do Bonfim ou à Aparecida e fazer o mesmo com a imagem de Nossa Senhora Aparecida. Vambora, brincar com o que a gente aprecia!

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Samba e amor

E a gente na cozinha conversando e no Dvd rolando o show do Casuarina, sambas bom demais e o meu jeito de dizer que ainda sou completamente apaixonada por você:

Eu quero
Me esconder debaixo
Dessa sua saia
Prá fugir do mundo
Pretendo
Também me embrenhar
No emaranhado
Desses seus cabelos
Preciso transfundir
Seu sangue
Pro meu coração
Que é tão vagabundo...

Me deixa
Te trazer num dengo
Prá num cafuné
Fazer os meus apelos...

Eu quero
Ser exorcizado
Pela água benta
Desse olhar infindo
Que bom
É ser fotografado
Mas pelas retinas
Desses olhos lindos
Me deixe hipnotizado
Prá acabar de vez
Com essa disritmia...

(Martinho da Vila)

domingo, 11 de outubro de 2009

Lista a respeito de gente e não sobre livros

Quem já não se rendeu à listas?
Essa é a minha, o Top 10 dos livros que mais marcaram, aqueles que ficam como tatuagem:

1. A Descoberta do Mundo - Clarice Lispector.
2. O Livro do Desassossego - Fernando Pessoa.
3. As Meninas - Lygia Fagundes Telles.
4. O Livro dos Abraços - Eduardo Galeano.
5. A Alma Encantadora das Ruas - João do Rio.
6. O Ovo Apunhalado - Caio Fernando Abreu.
7. O Jogo da Amarelinha - Julio Cortázar.
8. Precisamos Falar Sobre o Kevin - Leonel Shriver.
9. Os Miseráveis - Victor Hugo.
10. É Claro que Você Sabe do que eu Estou Falando - Miranda July.

E eles falam "basicamente" sobre nós.

"Assovia o vento dentro de mim. Estou despido. Dono de nada, dono de ninguém, nem mesmo dono de minhas certezas, sou minha cara contra o vento, a contravento, e sou o vento que bate em minha cara..."E. Galeano.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Back to Amy


O post abaixo é menos informativo e mais coerente com o post anterior quando escrevi sobre Cazuza e outras personalidades "errantes".

O jornal britânico "The Telegraph" elegeu "Rehab", música do disco Back to Black, de 2006, da "marginal" Amy Winehouse como a música mais influente da década, em uma escolha de 100 canções.
Segundo o jornal britânico, a música de Amy é a que melhor define a cultura músical dos anos 2000.
Segundo a publicação, são "as músicas universais que entraram para a cultura popular e viraram trilha sonora em nossas vidas".
Então, parece que os Jonas Brothers e todos os bons moços discípulos dos New Kids on The Block ficaram de fora...
O que seria da nossa vida cultural sem os marginais?
Fora isso, salve, salve Amy!

terça-feira, 29 de setembro de 2009

A tal psicóloga e Cazuza


O e-mail abaixo que recebi de um tio, coloco na íntegra, para falar a respeito dele depois.

E-MAIL:

Psicóloga x Cazuza!

Esta mensagem precisa ser retransmitida para todas as FAMÍLIAS
Uma psicóloga que escreveu, corajosamente algumas verdades.
Uma psicóloga que assistiu o filme Cazuza escreveu o seguinte texto:
'Fui ver o filme Cazuza há alguns dias e me deparei com uma coisa
estarrecedora . As pessoas estão cultivando ídolos errados..
Como podemos cultivar um ídolo como Cazuza?
Concordo que suas letras são muito tocantes, mas reverenciar um
marginal como ele, é, no mínimo, inadmissível.
Marginal, sim, pois Cazuza foi uma pessoa que viveu à
margem da sociedade, pelo menos uma sociedade que tentamos construir
(ao menos eu) com conceitos de certo e errado.
No filme, vi um rapaz mimado, filhinho de papai que
nunca precisou trabalhar para conseguir nada, já tinha tudo nas mãos.
A mãe vivia para satisfazer as suas vontades e loucuras. O pai
preferiu se afastar das suas responsabilidades e deixou a vida correr
solta.
São esses pais que devemos ter como exemplo?
Cazuza só começou a gravar porque o pai era diretor de uma
grande gravadora.
Existem vários talentos que não são revelados por falta
de oportunidade ou por não terem algum conhecido importante.
Cazuza era um traficante, como sua mãe revela no livro,
admitiu que ele trouxe drogas da Inglaterra, um verdadeiro criminoso.
Concordo com o juiz Siro Darlan quando ele diz que a única diferença
entre Cazuza e Fernandinho Beira-Mar é que um nasceu na zona sul e
outro não.
Fiquei horrorizada com o culto que fizeram a esse rapaz,
principalmente por minha filha adolescente ter visto o filme. Precisei
conversar muito para que ela não começasse a pensar que usar drogas,
participar de bacanais, beber até cair e outras coisas, fossem certas,
já que foi isso que o filme mostrou.
Por que não são feitos filmes de pessoas realmente
importantes que tenham algo de bom para essa juventude já tão
transviada? Será que ser correto não dá Ibope, não rende bilheteria?
Como ensina o comercial da Fiat, precisamos rever
nossos conceitos, só assim teremos um mundo melhor.
Devo lembrar aos pais que a morte de Cazuza foi
consequência da educação errônea a que foi submetido. Será que Cazuza
teria morrido do mesmo jeito se tivesse tido pais que dissesem NÃO
quando necessário?
Lembrem-se, dizer NÃO é a prova mais difícil de amor .
Não deixem seus filhos à revelia para que não
precisem se arrepender mais tarde. A principal função dos pais é
educar.. Não se preocupem em ser 'amigo' de seus filhos.
Eduque-os e mais tarde eles verão que você foi a pessoa
que mais os amou e foi, é, e sempre será, o seu melhor amigo, pois
amigo não diz SIM sempre.'

Karla Christine
Psicóloga Clínica
Leu ?
Concorda com a psicóloga?
Então faça sua parte divulgue.

Fiquei sabendo, depois de dar uma procurada na internet que esse e-mail também foi repassado como se fosse de uma mãe e um pai transtornados por seu filho ter assistido o filme sobre Cazuza. Não sei se deveria perder o meu tempo divagando sobre esse assunto, mas como já disse Clarice Lispector (a quem Cazuza admirava): "O que obviamente não presta sempre me interessou muito".
Se a pessoa que escreveu esse e-mail realmente for psicóloga, seu Conselho Federal de Psicologia deveria ser cassado. Como psicóloga sei qual é o código de ética da categoria. Preconceito na nossa profissão é "crime". E o que ela escreve é um monte de conceitos não fundamentados, e se fundamentados, apenas com as suas crenças pessoais e não como categoria, logo, ela deveria ter escrito como uma cidadã e não como psicóloga.
Na Psicologia não há o certo e nem o errado, há a subjetividade humana e com ela derivações sem fim. O psicólogo assim como qualquer cidadão de bem deve ensinar, educar e fazer com que as pessoas pensem por si mesmas, que elas próprias descubram o que elas procuram.
A pessoa se refere à Cazuza como uma personalidade desregrada. Será que com isso ela quis dizer também que era desregrada porque Cazuza era homossexual, usava drogas e era portador do vírus da AIDS? Acho que ela não quis pegar mais pesado do que pegou, então essa parte ficou só nas entrelinhas...(aposto que os pastores das igrejas evangélicas adoraram seu e-mail - só faltou dizer que ele morreu porque merecia). Pois bem, cito alguns nomes - só alguns - de personalidades desregradas: Janis Joplin, David Bowie, Jimi Hendrix, Kurt Cobain, Mick Jagger, Salvador Dalì, Jim Morrisson, Marlon Brando, James Dean, Paul Verlaine, Amy Winehouse.
Se eu tivesse filhos, diria a eles para enaltecer e cultuar essas pessoas, porque à margem da sociedade, elas fizeram a sociedade inteira pensar, amar, dançar, se deslumbrar, e mais do que isso, sonhar. Não há vida mais injusta do que aquela que não há sonho.
Pais deveriam se revoltar com filhos dia e noite na frente de um computador, celebrando ídolos torpes, passageiros, em resumo, lixos, como uma Xuxa que tem 50 anos, mas se comporta como uma garota de 15, Sandys e Juniors que em nada acrescentam, funks das bundinhas, tudo sem o menor conteúdo.
E como cansei de gastar meu verbo, cito agora a jornalista e escritora Martha Medeiros, sobre o mesmo e-mail:

"Não há razão pra temer os desiguais. O autor anônimo do texto diz, a certa altura, que ficou horrorizado porque sua filha assistiu o filme e foi preciso conversar muito com ela para explicar que usar drogas, beber até cair e participar de bacanais não são coisas certas. Concordo que não é um estilo de vida dos mais saudáveis, porém entre o certo e o errado há muitas outras coisas, com dizia o próprio Cazuza, e não podemos fingir que o mundo é composto apenas de super-heróis imunes a fraquezas, a curiosidades e a ímpetos que nem sempre estão dentro dos padrões.
O que importa na vida de um artista é sua arte, é o que ele deixa de legado. Biografias, filmadas ou escritas, servem apenas para entender a época em que ele viveu, quais eram seus conflitos, qual a fonte de sua inquietação. Ao se contar uma história de vida, seja ela qual for, humaniza-se o personagem. Será que foi essa explicação que a menina adolescente recebeu depois de assistir o filme, ou será que ela recebeu uma bela lição de maquineísmo? Meu caro anônimo, há muitas formas de se ministrar uma educação errônea. Citar Cazuza como ídolo inadequado é de uma miopia desoladora. O que dizer de vários ídolos pré-fabricados que nada acrescentam artisticamente, que não emocionam nem instigam, apenas vendem sandalinhas? Deixemos os artistas, os verdadeiros, os realmente inspirados, experimentem a desobediência, testem seus próprios limites, busquem a vida nos buracos sujos onde ela se esconde. Todos aqueles que pintam, dançam, cantam, escrevem, e atuam com as veias saltadas, com sangue quente, com a alma aos gritos, estão na verdade ajudando a revelar a nós mesmos, cidadãos acima de qualquer suspeita".

E pra terminar, como dizia o poeta: "Todo amor que houver nessa vida pra vocês".

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Histórias de amor


Demorei um pouco, mas prestigio hoje, aqui, minha grande amiga - irmã, em mais uma de suas empreitadas. Daniela Álvares pruduziu e roteirizou ao lado de sua prima, Carolina Ferraz, algumas histórias de amor, que a própria Carolina protagonizou.
Com histórias, cenários e figurinos simples, o que realmente emociona é o talento das duas e do resto da equipe. (Deixo um beijo grande aqui também para Luiza Zanoni, responsável pela câmera).
São pequenas histórias: engraçadas, trágicas, tristes, desesperançosas/esperançosas, assim como é o amor, a vida e todo o resto.
Vale a pena assistir. Deixo o link de uma dessas historinhas, talvez, a minha preferida.
E deixo meu super beijo pra você, Dani, que tá sempre perto de mim, mesmo longe, trabalhando feito uma louca!

http://www.youtube.com/watch?v=24sbBbvVP98

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Fernanda Takai e a nova música brasileira


Comprei avidamente o DVD da Fernanda Takai, "Luz Negra". O título do dvd (e do cd) que dá nome ao show é uma música de autoria de Nelson Cavaquinho, e é lindamente interpretada pela vocalista do Pato Fu. Sou fã da banda desde o show que assisti deles no Hollywood Rock, há muitos anos atrás; depois desse ainda vi o show de divulgação do álbum "Ruído Rosa" no Sesc e o que percebo ouvindo os discos, acompanhando a carreira e assistindo alguns shows é que eles nunca perdem o frescor, estão sempre se inovando e misturando sons e batidas diferentes.

Fernanda Takai já lançou seu disco solo há algum tempo e só agora saiu a gravação do show, que não fui ainda, mas pretendo. O disco contém regravações de músicas que foram cantadas por Nara Leão no auge da bossa nova, mas no show ela inova (mais uma vez) e mistura bossa com, por exemplo, "Ordinary World", de Duran Duran, dos anos 80 e é inevitável não sorrir. Como é de costume, tem música dos dois compositores mais gravados no Brasil: Chico Buarque e Caetano Veloso. Do primeiro, "Com açúcar, com afeto", de Caetano (e Gil), a pouquíssimo conhecida: "Lindonéia".
Partes interessantíssimas e emocionantes vêm também com a marchinha de carnaval, "Ta-Hi (pra você gostar de mim)", "Diz que fui por aí", de Zé Ketti, "There Must Be An Angel", composição de Annie Lennox, e a lindinha "Você já me esqueçeu", de Fred Jorge.

Além do repertório, as participações de John Ulhoa, parceiro de banda e da vida e a bateirista e percussionista Maria Portugal. Uma direção de arte impecável, um cenário simples que na telinha se reveza entre o preto e o branco e o super colorido, e a simpatia de Takai.
Ouvi-la é ouvir o potencial da música brasileira hoje, e com isso ter certeza de que não precisamos viver do passado dessa mesma música.

sábado, 19 de setembro de 2009

E de novo o cigarro


Voltando ao assunto sobre a lei sobre a proibição do cigarro, já que postei, não acerca disso, mas citando essa problemática, se assim pode-se denominar, queria deixar alguns outros comentários, não como fumante, mas como psicóloga, especializada em psicanálise e psicossomática.

É inegável que o cigarro é um fator de risco para a obtenção de um câncer, mas a psicossomática já provou que apenas esse fator isolado não é determinante. Como não pretendo dar aulas teóricas sobre o assunto, cito grosso modo e de maneira até simplória, casos que conhecemos, pessoas que nunca fumaram e morreram de câncer e pessoas que fumaram a vida toda e morreram de velhice.
O câncer para ser adquirido precisa de algo mais, que na psicossomática nós chamamos de "má- mentalização". Sem ela, não há câncer, como não há gastrite, gripe, reumatismo, dores de cabeça e outras 90% de doenças que lotam consultórios médicos.
A pergunta que me fazem é: Se a psicossomática tem as respostas para a maioria dos males que o corpo adquire, por que continuamos a tê-las? Por que a população em geral não sabe de nada? E mais uma vez - já disse nesse blog - que não é do interesse do Conselho Federal de Medicina e nem das poderosas indústrias farmacêuticas que a população descubra que quase tudo pode ser curado num consultório de um psicossomatista. E a grana que iam perder? E os médicos, viveriam do quê?

Não descarto o fator genético, o biológico que aliado ao fator psicológico forma o que chamamos Humano, mas ao contrário de mim, os biólogos, geneticistas não abrem mão de suas verdades absolutas, de suas crenças medievais, de seus estudos retrógrados.

Isto não é uma apologia ao cigarro, é apenas um desabafo de uma pessoa cansada de ouvir as mesmas falácias pelas mesmas pessoas todo o tempo.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Atualidades

Ultimamente ando preferindo um filminho bobo da Julia Roberts à Antonioni, revistas de informações passageiras à Cult e Bravo da vida, livros de crônicas cotidianas aos intelectuais-filosóficos-chatos.
Quero deitar na cama sem grandes dores de cabeça ou dúvidas existenciais, poder comprar meu whisky sem perder qualquer tipo de paz, ganhar meus beijos da noite e dormir de conchinha e tranquila, e poder me sentir feliz sem mais.
Muitas vezes, o conhecimento - qualquer tipo dele - pode ser uma grande chatice.
Verdade seja dita, quem admite isso nos dias atuais?

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Terminator: The Sarah Connor Chronicles


Para se falar sobre máquinas o melhor contraponto é dizer sobre o humano. E essa é a idéia e a genialidade da série de TV norte-americana, "O Exterminador do Futuro: As Crônicas de Sarah Connor".

Todos conhecem a série de filmes que deu origem ao roteiro de televisão. Os primeiros com o governador austríaco da Califórnia e os outros, bem ruins. Na minha modesta opinião, o melhor é ainda o primeiro. Os efeitos especiais não eram tão incríveis, mas o filme focava não nas máquinas, mas em uma mulher: Sarah Connor. A personagem principal dos filmes (mesmo dos quais ela não participa) e da série, é a ruína e a glória/salvação da humanidade confrontada com máquinas poderosas. O apocalipse é aquele bem parecido com o da bíblia, a mão de Deus estendida que encontra a do Homem da Capela Sistina é a mão da mãe de John Connor, o líder dos humanos. E "As Crônicas de Sarah Connor" é uma obra de arte sobre a condição feminina - seja no passado, no presente ou no futuro - é a apresentação das várias faces femininas. É a Virgem Maria e Maria Madalena juntas (simbólicamente falando, já que não acredito que nenhuma delas tenham existido, ou mesmo a bíblia e o apocalipse - sempre bom deixar claro).

Diz o jornal, The New York Times, sobre a série: "Uma das ficções científicas mais humanas. Tenso, assombroso, relevante". Sem dúvida, muito mais relevante que o último filme Exterminador do Futuro, sem dúvida, muito mais assombroso que vários dos últimos filmes de ficção científica, sem dúvida, muito mais sensível e encantador que centenas de filmes dramáticos. Dezenas de vezes encontramos a face do humano, a simbologia de toda a dor, delícia, capacidade, sofrimento e maldade em obras que supostamente seriam apenas de entretenimento. Pois bem, "O Exterminador do Futuro" - a série - é um dos mais belos retratos que assisti sobre a mulher nos últimos tempos.
Se nada disso que escrevi fez quem me leu, ter vontade de alugar/comprar a série, o bônus é a beleza estonteante da atriz que faz o papel de Sarah Connor: Lena Headey.
Não tem como melhorar. E eu já estou esperando a segunda temporada nas locadoras ansiosamente.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Todo dia é tudo sempre igual

Ontem, deitada na cama, mais adormecida do que acordada, "escutava" o Fantástico. Em duas reportagens seguidas, o programa da TV Globo falava sobre a alimentação adequada e mais tarde vinha o Dráuzio Varella para continuar a chatice e comentar com cara séria de médico, que determinadas comidas são mais propícias para que o homem tenha câncer.
Tem uma música de Marisa Monte que foi gravada por Cássia Eller, chamada "Palavras ao Vento". Palavras ditas com o intuito de acreditarmos piamente mas que não dizem absolutamente nada de concreto e importante.
Primeiramente, há muitas especulações sobre o câncer, mas nada determinado e positivista que nos dê segurança, dito isso, já digo que depois da proibição do fumo em determinados lugares (quase todos), o "garoto-propaganda", Dráuzio me deixou a imagem de "dono-nazista-da-verdade". Não quer fumaça na sua cara? Não compareça num bar cheio de fumantes. Isso é óbvio e claro, e adoro dizer que todos os colunistas da Folha de São Paulo me apóiam.
E a outra coisa que eu queria dizer é que todo mundo com um mínimo de informação, sabe quais as comidas que fazem bem e quais fazem mal, a gente não precisa ouvir esse blá blá blá toda semana.
Mas falta dizer pra esse povo que a vida é difícil, que a gente trabalha, que a gente ganha pouco, que temos problemas todos os dias pra resolver e que nesse caso, a gente prefere viver um pouco menos e continuar com as nossas cervejas, o nosso whisky, o cigarrinho e a carne de porco. Porque para aguentar esse país e seus políticos e seus médicos 'geniais' a gente precisa de um escape.
Não falo por todos, apenas por mim, mas prefiro morrer de câncer do que de tédio.
E nos dê algum descanso...

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Receitinha


Como estou virando uma dona de casa também, posto uma receita de um bolo simples e delicioso.
Se alguém fizer, escreva o que achou!

Bolo Verde

1 caixa de massa para bolo, sabor laranja.
1 pacote de gelatina, sabor limão.
3 ovos.
1 xícara de óleo.
1/2 xícara de água fervendo para derreter a gelatina.

Modo de preparo:

Bater no liquidificador e cobrir depois de pronto com leite condensado misturado com caldo de limão.

Bom apetite!!