quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Scarlett Johansson e Pete Yorn


Não é que a talentosa atriz Scarlett Johansson - de "Encontros e Desencontros", "Match Point" e "Vicky Cristina Barcelona" - é também talentosa como cantora? Quando ouvi alguns meses atrás que ela havia lançado um disco, ouvi o comentário com descrença, já que estou cansada das atrizes-modelos-cantoras-apresentadoras.

Mas seu disco ao lado de Pete Yorn, "Break Up" é orgasmático e não sai aqui da vitrolinha. Encantador, dançante, inteligente, bem tocado, bem produzido, as músicas te levam ao paraíso (sim, ele existe aqui na Terra).
Pontos fortes do disco: "Blackie´s Dead", "I Don´t Know What to Do" e a que está tocando direto na MTV, "Relator". O videoclipe também é incrível!!

"Anywhere I Law my Head", o primeiro e outro disco da graçinha e talentosíssima Scarlett, ainda não ouvi, mas sei que têm músicas de Tom Waits e participação especial de David Bowie. Querem mais??

Super recomendado.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Alguns livros


Demorei quase um ano para terminar a obra do argentino Alan Pauls, "O Passado". O livro que foi transformado em filme com o bonitinho Gael Garcia Bernal. Não sei qual é o mais chato, o livro ou o filme; me parece que o autor quis revisitar um pouco da escola literária romântica, porque há tantas descrições e tão poucos diálogos que se ele fosse objetivo, o livro teria 100 páginas e não quase 500.

Mas falando de coisa boa, não é só de José Saramago que a literatura portuguesa vive atualmente. Me foi apresentado o escritor José Luis Peixoto, com seu livro incrível, "Uma Casa na Escuridão". A escrita é de uma beleza indescritível, e é um daqueles casos em que a tristeza, o caos, a desordem podem se tranformar em algo belíssimo. Porque de alguma maneira a tristeza é bonita. Fácil é enxergar beleza no belo, difícil é ver beleza no feio.

"Dentro de mim, havia aquele cemitério a anoitecer, o frio insuportável de um inverno distante, um inverno na memória e frio, mais frio, ainda mais frio, insuportável e mais frio ainda. Um inverno que se recorda por ter sido o inverno mais frio da vida. Um inverno inteiro. Todas as noites de um inverno passados no cemitério. Um inverno frio de mármore. O frio daquela campa, daquele corpo e daquele amor definitivamente sepultado no interior da minha pele, em cada instante da minha pele de mármore, na cara, no pescoço, no peito. Carne congelada, sangue congelado, escuridão congelada".

E pra terminar, comprei e já li um bocado do novo livro da Lionel Shriver, a mesma de "Precisamos falar sobre o Kevin", chamado: "O Mundo Pós-Aniversário". O desenrolar é sobre uma mulher casada há nove anos que sente atração por um outro homem, e simultaneamente o livro conta a vida dela em dois casos, se ela traísse o marido e se ela não o fizesse. Parece banal, mas tô achando que nada, nenhum assunto que essa mulher escreve é banal. Muitíssimo bem escrito, que prende o leitor e com coração, o coração que falta na obra de Alan Pauls que tirando a beleza estética do livro não sobra nada além do tédio.
Obs: a foto é da escritora Lionel Shriver. Sou fã já, muito fã.

sábado, 16 de janeiro de 2010

Uma Viagem por Paris


"Um tributo sem falhas a Paris e ao espírito da infância", diz o Jornal New York Times, sobre o filme francês "A Viagem do Balão Vermelho". Concordo plenamente, mal o filme começou e eu já estava emocionada.
Apresentado em Cannes, o filme conta com a presença marcante da já tarimbada, Juliette Binoche (Quais são as nomeações ao Globo de Ouro, mesmo?). Assim como qualquer filme francês que se preze, o filme não fala de nada em espcífico mas abrange o mundo. E o mundo nada mais é que o cotidiano das pessoas.

Uma mãe, um filho pequeno e uma babá são o contexto para divagações sobre a capacidade imaginativa que pode despertar na gente uma outra forma de encarar os problemas (muitos) da vida. O filme é permeado de arte: a mãe é uma artista de marionete, a babá é estudante de cinema e o filho aprende com as duas a jornada mais difícil hoje para uma criança que está crescendo: sonhar. E a gente sonha junto, junto dele, junto do balão vermelho que cruza a cidade de Paris, não só a retratada nos cartões-postais, mas a Paris suja, caótica, como qualquer megalópole.

Um filme verdadeiro, triste/feliz, emocionante. Para definir melhor, fico com a crítica do Chicago Tribune: "Uma obra prima".

Obs: na camiseta do menino com letras garrafais aparece: Change the World. Comecemos a mudar o mundo apreciando o que há de melhor e dividindo tais coisas com quem gostamos, por isso, procurem a locadora mais próxima!

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Cantando baixinho:

I'm so much older than I can take...

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Impressões sobre os nomeados ao Globo de Ouro


Vendo a lista dos indicados ao prêmio Globo de Ouro só enxergo mesmice. Fora a nomeação do sensacional "Bastardos Inglórios", do espetacular Quentin Tarantino, que dirige como se estivesse brincando com as mais numerosas referências cinematográficas de todos os tempos, os outros nomes são quase nada.

Mais uma vez, a atriz Meryl Streep é indicada, não uma vez, mas duas na mesma categoria. Não acho ela ruim, mas basta esta mulher fazer qualquer coisa que é indicada, uma chatice só.
Julia Roberts por "Duplicidade"? Sandra Bullock por "A Proposta"? Devem estar de brincadeira!
E mais uma vez os mesmos: Hellen Mirren, Morgan Freeman, George Clooney, e o engodo chamado James Cameron. Será que ele vai ser o rei do universo novamente?

Dos nomeados enxergo simpatia imensa apenas pela grande atriz, Julianne Moore e pela já premiada, Penélope Cruz e seu mestre, Pedro Almodovar. Mas não são eles que irão levar...

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Com o coração, sempre...


Eu empresto as palavras do escritor uruguaio, Eduardo Galeano, em seu livro: De Pernas pro Ar, como as últimas desse ano que expressam o que penso e sinto:

"Que tal começarmos a exercer o jamais proclamado direito de sonhar? Que tal delirarmos um pouquinho? Vamos fixar o olhar num ponto além da infâmia para adivinhar outro mundo possível:
o ar estará livre de todo veneno que não vier dos medos humanos e das humanas paixões;
nas ruas, os automóveis serão esmagados pelos cães;
as pessoas não serão dirigidas pelos automóveis, nem programadas pelo computador, nem compradas pelo supermercado e nem olhadas pelo televisor;
o televisor deixará de ser o membro mais importante da família e será tratado como o ferro de passar e a máquina de lavar roupa;
as pessoas trabalharão para viver, ao invés de viver para trabalhar;
será incorporado aos códigos penais o delito da estupidez, cometido por aqueles que vivem para ter e para ganhar, co invés de viver apenas por viver, como canta o pássaro sem saber que canta e como brinca a crianá sem saber que brinca;
em nenhum país serão presos os jovens que se negarem a prestar serviço militar, mas irão para a cadeia os que desejarem prestá-lo;
os cozinheiros não acreditarão que as lagostas gostam de ser fervidas vivas;
os historiadores não acreditarão que os países gostam de ser invadidos;
os políticos não acreditarão que os pobres gostam de comer promessas;
o mundo já não estará em guerra contra os pobres, mas contra a pobreza, e a indústria militar não terá outro remédio senão declarar-se em falência;
a comida não será uma mercadoria e nem a comunicação um negócio, porque a comida e a comunicação são direitos humanos;
os meninos de rua não serão tratados como lixo, porque não haverá meninos de rua;
os meninos ricos não serão tratados como se fossem dinheiro, porque não haverá meninos de rua;
a educação não será um prvilégio de quem possa pagá-la;
a polícia não será o terror de quem não possa comprá-la;
a Santa Madre Igreja corrigirá os erros das tábuas de Moisés e o sexto mandamento ordenará que se festeje o corpo;
os desesperados serão esperados e os perdidos serão encontrados, porque eles são os que se desesperam de tanto esperar e os que se perderam de tanto procurar;
a perfeição continuará sendo um aborrecido privilégio dos deuses; mas neste mundo confuso e fastidioso, cada noite será vivida como se fosse a última e cada dia como se fosse o primeiro".

Sonhamos com tantas coisas irrelevantes, se é para sonhar, que sonhemos grande e com o coração!

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Que venha 2010!

Dia 18 de dezembro de 2009 e eu já vou desejando boas festas...
Desejo mais união e risadas para os meus, e que o dinheiro venha como consequência. Desejo que a "esperança ainda continue grudada na carne" dos meus e de todos. Que a maldade, a desonestidade, a falta de respeito e gentileza não predomine sobre todas as outras coisas boas que nos tornam o que chamamos de "humanos".
Que não só a arte nos salve do absurdo, do caos, do psicótico - quem sabe apareça o Homem - Aranha? Ou apenas que consigamos ainda acreditar em algo, e que essa alguma coisa seja melhor.
Melhor para os meus - Ka, Má, Rogerinho, Mami, Pedregulho e a já muito amada, Malu, minha imensa e querida família, e os amigos, poucos, mas os de sempre! e melhor para aqueles que dão de si, o melhor!

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Alguma indignação e campanha

É desolador constatar que cada vez mais a corrupção toma conta desse país, averiguar que a impunidade não tem fim, que nosso presidente sempre fica em cima do muro e que nossa perspectiva para o futuro não é melhor.
Nos últimos anos a maioria dos brasileiros têm que se contentar em votar "no menos pior" e hoje não há nenhum nome que nos dê esperança. Já digo de antemão que não voto em hipótese nenhuma em Dilma, nem em José Serra ou qualquer partidário do PSDB. Cadê o Gilberto Kassab nesses dias de enchentes avassaladoras na cidade de São Paulo?
Mas o importante é que o Brasil será a sede da Copa do Mundo e o Rio de Janeiro das Olimpíadas. E tá tudo certo.
Quando o assunto é política o texto é curto porque não aprecio tragédias desse porte. Tragédia só no contexto artístico.
Obs: Quem estiver na cidade de São Paulo nessa sexta-feira, colabore com a campanha da apresentadora, Adriane Galisteu, na luta contra a AIDS e contra o preconceito adquirindo uma camiseta da campanha.
Vários carrinhos da Nestlé estarão espalhados pela cidade, na frente de todos os shoppings e parque Ibirapuera - para quem não faz questão de encontrar a apresentadora. Quem quiser comprar a camiseta e trocar umas palavrinhas com ela, é só aparecer na Oscar Freire em frente da loja da Iódice entre às 10:00 às 22:00h.
Em um mundo tão consumista, onde se vende até mãe, filho e etc, não custa muita coisa gastar seu dinheiro em algo que possa, futuramente, ajudar alguém.
Que nos mobilizemos sempre em coisas que valham a pena! Convite feito.

domingo, 29 de novembro de 2009

Soon...

Eu estou sem internet temporariamente, mas já já volto...
Beijos para quem é de beijo.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Kate Moss e o inferno dos outros


Quando abri a página principal da UOL, estampava (e embelezava) uma das notícias, a foto da modelo britânica Kate Moss, com o título: "Polêmica: não há 'nada melhor do que se sentir magra', diz a modelo Kate Moss".
Pensei: mais uma besteira envolvendo a privacidade de uma celebridade. Aí é que está, será mesmo besteira? Porque depois dessa declaração para uma publicação de moda, ela foi acusada de promover a anorexia entre os jovens. (Mais uma vez os holofotes estão focando a modelo pelo seu estilo de vida nada regrado).

A reportagem da UOL destaca: "Estas declarações indignaram os membros da campanha contra o culto à magreza no Reino Unido, que qualificaram de 'chocante' e 'irresponsável' a atitude da modelo britânica, afirma hoje o jornal sensacionalista 'The Sun'." A reportagem ainda destaca: "Segundo Deanne Jade, do Centro Nacional para Transtornos Alimentares (NCFED, em inglês) do Reino Unido, o fato de Moss ser a imagem da marca de roupas Topshop "a transformou em um ícone para milhões de mulheres e jovens", e por isso a importância de suas palavras."

Começo pelo óbvio, a etimologia da palavra "Ícone" que tanta gente usa de maneira inadequada e errada (eu mesma já usei). Definição pelo dicionário Michaelis: í.co.ne
sm (gr eikón, ónos) 1 Quadro, estátua ou qualquer imagem que, na Igreja Ortodoxa, representa Cristo, a Virgem, ou um santo. 2 Na Rússia, Romênia, Sérvia e Grécia, designava uma pintura executada sobre madeira representando uma imagem religiosa. Í. de grupo, Inform: numa GUI, ícone representando uma janela que contém uma coleção de ícones de arquivos ou programas. Í. de programa, Inform: numa GUI, ícone que representa um arquivo de programa executável.

Muito bem, se Moss não pretende uma indicação à canonização pela Igreja Católica e presumindo que ela não é um programa de computador, Kate Moss NÃO é ícone de nada. Podemos alterar a palavra e dizer que ela é representativa no mundo da moda, afinal é a modelo mais conhecida do mundo. E afinal o que é o mundo da moda? Pessoas obesas? Calça fashion tamanho 46? "Pessoas comuns" estampando capas de revista?
O mundo da moda é representativo e alude à algo: ao ideal. Logo, o ideal é o que costumamos ver nas passarelas ou em publicações de moda: mulheres magérrimas e belas (não leiam com isso, que elas só são belas porque são magras).

Com tudo isso só quero chegar que Kate Moss pode afirmar o que ela quiser que não vai desencadear sozinha um culto à magreza nem o incentivo à anorexia, porque ela é o "ideal", assim como o nosso namorado dos sonhos, o emprego que não é nosso, a vida de novela dos outros. Por isso, casamentos acabam, pessoas são demitidas e as pessoas são infelizes - com anorexia ou não - porque o ideal nunca vai ser o real e o ideal é nosso, mas é fácil atribuir aos outros o nosso inferno. Já dizia Sartre...



domingo, 15 de novembro de 2009

Cansada dos pseudo-geniais


Não entendo e acho que não conseguirei entender nunca quem diz que Carlos Drummond de Andrade é um grande poeta. Acho um chato. E dei chances à ele, retornei a ler sua "Antologia Poética", um livro que reune quase 200 poesias do poeta mineiro. Se desses 200 poemas, 10 me tocaram, foi muito.
Me pergunto se as pessoas acham o cara bom mesmo ou se porque ouvem as outras dizerem que ele é bom, complementam sem saber quase nada do que ele escreveu. Fico inclinada a achar que é a segunda opção.

Ganhei um livro publicado pelo SESC sobre os melhores filmes de 2008. Um dos filmes nacionais mencionados era "Via Láctea". Acabei alugando, porque sempre parava diante dele mas por algum motivo não locava. Devia ter mantido na estante da locadora. Do filme, sem nexo, sem sentimento, sem roteiro, sem pé nem cabeça, só sobra a beleza e o talento de Alice Braga. Se for assim, confiram a bonitinha em outros filmes muito mais interessantes.
O mesmo deve acontecer com o filme dirigido por Selton Mello, "Feliz Natal": que fique nas prateleiras e não dentro dos aparelhos de DVD.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Caso Uniban

Há uma contradição sobre um assunto em mim neste momento, se por um lado eu não aguento mais que a mídia fale da estudante que, ora foi expulsa, ora foi readmitida na Uniban, por outro, acredito ser justa a polêmica.
Não vou divagar sobre o assunto, apenas deixar algumas observações que para mim são óbvias.

Reelembro um cenário, e esse cenário foi filmado em 1989. O filme chama-se "Acusados", o primeiro filme de destaque da estupenda atriz, Jodie Foster. Eis o cenário: Uma moça vai desacompanhada à um bar, começa a beber, começa a dançar, sua vestimenta é constituída por um vestido curto, e ela provoca alguns rapazes do bar, dança com eles, bebe com eles, conversa com eles, se insinua pra eles. Eles por sua vez, a estupram.
Está instaurado o direito Constitucional de ir e vir, e de liberdade de expressão e ação, mas durante o filme, a garota passa de vítima à algoz, os advogados dos rapazes que a estupraram defendem que, pela maneira de se comportar, ela "pediu" o estupro.

Parece brincadeira, mas como as coisas caminham, não é.
As mulheres lutaram tanto para assumir o controle de suas vidas, antes mesmo do movimento feminista, e alcançaram muitas conquistas, mas o homem ainda continua enxergando as mulheres como símbolos sexuais, corpos a serem descobertos, ou mulheres, que desesperadamente procuram por um homem para se sentirem completas.

Será que ir à um bar sozinha e se insinuar para alguns homens com um vestido curto, ou, frequentar uma faculdade, se insinuando para alguns estudantes com um vestido curto, dá ao homem o direito de ser a vítima e a mulher a algoz?
Ouvi alguns representantes da Universidade dizendo que a vestimenta da estudante era inapropriada para um meio acadêmico. Qual seria, fico me perguntando, a roupa apropriada.

E em todas as colocações, em todas as suposições e versões sobre o acontecimento, só há uma resposta: Ninguém em lugar nenhum tem o direito de acuar, humilhar, desrespeitar, estuprar outro ser humano. E nada do que me digam ao contrário pode ou fará com que eu mude de idéia.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Surpresas da França ou de qualquer lugar do mundo


No ano da França no Brasil, muitos eventos têm ocorrido, e digo com honestidade que não frequentei muitos além de assistir uma banda de jazz e soul no Parque Ibirapuera e ontem no SESC, na mostra de cinema contemporâneo francês.

Com filmes obscuros de diretores desconhecidos - pelo menos do grande público, fui conferir "Assassinas", (Meutrières), de 2005, drama do diretor Patrice Grandperret. Já retirei convites para sexta-feira próxima para o filme "Até Já", (A Tout de Suite) de Benoit Jacquot, do ano de 2004.

Algumas coisas me chamaram atenção. Primeiramente o filme em si: de altíssima qualidade, com roteiro e interpretações grandiosas - levando em conta a pouca grana para a realização do projeto - de um drama com pitadas de humor (que não deixam de ser negro).
Eis a sinopse: Nina e Lizzy, são duas jovens normais e um pouco frágeis que se encontram em um hospital psiquiátrico. Entre elas, uma identificação imediata: juntas elas são fortes, eufóricas. Sem muita sorte, nem muito dinheiro, elas têm apenas seus sonhos, e sua amizade.
Assombroso, sombrio e triste, o filme narra as escolhas feitas por aquelas pessoas, que já citei aqui, que vivem à margem da sociedade. Escolhas não muito acertadas, que em sua maioria, acabam em tragédia, mas as únicas opções num mundo hostil.

Outras coisas que despertaram minha curiosidade: a mostra de cinema é gratuita, o auditório do SESC possui 126 lugares, e se haviam 30 pessoas no lugar era muito. Algumas conclusões são fáceis de chegar: o cinema francês, assim como o europeu em geral, é mais lento, têm roteiros mais pausados, mais focados nas expressões de seus atores e nas locações escolhidas. E muitas vezes os diálogos não são longos. Para as pessoas acostumadas com o frenesi causado pelos filmes norte-americanos de ação, os franceses são quase insuportáveis. Diria que é quase como a vida contemporânea que levamos, uma agitação frenética, uma corrida contra o tempo, pressão sofrida para a obtenção de resultados, diálogos para esconder o silêncio perturbador. Nossa vida não têm pausa, não tem companhia silenciosa.

Me recordo agora de conversar com meu primo sobre animações infanto-juvenis. Ele gostou de quase tudo que assistiu. E eles são quase irresistíveis mesmo: "Vida de Inseto", "Procurando Nemo", "A Era do Gelo", e outros tantos, mas ele se negou à assistir a animação francesa - uma das melhores na minha opinião - "As Bicicletas de Belleville". Por que? Neste caso, diria que basicamente por preconceito.

E a última observação: conheço pessoas que estão sempre reclamando da falta de vida cultural, e concordo que há épocas do ano em que ela é realmente fraca. Mas ontem, hoje e sábado a mostra é gratuita, o SESC é popular, logo não vai quem não quer. Já imagino as filas lotadas do Cinemark, e vi os bares amontoados de gente enquanto ia ao cinema.

Conclusão: Algumas pessoas já me indicaram muitos filmes ditos "clássicos", e eu não gostei. Mas não fiz ressalvas porque eles eram franceses, italianos ou chineses. Dei e sempre dou uma segunda chance e com isso já tive inúmeras surpresas positivas, encantadoras, arrebatadoras...

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Nossos mortos e nosso morrer

Assim como a maioria dos feriados, esse, dia de finados, pra mim é de um simbolismo meio (pra não dizer inteiro) bobo.
Hoje a maioria das pessoas estavam comomorando o fato de não terem que ir trabalhar, seja na cidade ou na praia entupida com um sol de 40 graus na cabeça. Alguns outros, poucos, visitaram cemitérios para se "lembrarem" daqueles que morreram.
Na minha modesta opinião, não precisamos de feriado decretado para lembrarmos daqueles que não estão mais com a gente. Se essas pessoas eram realmente importantes e significavam algo de muito concreto em nossas vidas, é normal que se pense nelas durante muitos dias e em muitos momentos do ano. Alguns dos nossos mortos, viram fantasmas que nos perseguem durante toda a vida - para o bem ou para o mal.

Na semana que passou estava assistindo algum programa tosco que a programação aberta nos oferece, e lembro de ter ouvido que as pessoas não pensam na morte, que elas estão tão consumistas, tão individualistas, e etc, que não conseguem parar para pensar em sua própria finitude. Pois bem, essa é uma das grandes asneiras que eu já ouvi na vida. Não precisa ser psicanalista pra conceber que as pessoas pensam na morte todo o tempo. Se não pensam diretamente, sonham ou se deparam com ela a maioria do tempo, e uma das razões para que uma pessoa se torne uma consumista de carteirinha, é exatamente saber que vai morrer. "Se vou morrer, vou aproveitar o que o dinheiro pode me proporcionar enquanto estou viva". Quando eu ainda clinicava, lembro de uma senhora que eu atendi que disse que estava planejando uma viagem para a Europa, não pelo simples fato de conhecer a Europa, mas pelo medo de morrer sem ter conhecido um continente que "todo mundo fala bem".
Então a gente se desdobra em 10 pessoas ao mesmo tempo: fazemos cursos, de pintura, cerâmica, artesanato, aulas de ginástica, ioga, musculação, tentamos aprender outros idiomas, vamos ao shopping tostar o salário que acabamos de ganhar, combinamos mil eventos, café com a fulana, jantar com a cicrana, passeio com o joão mané. Tudo, absolutamente tudo para que possamos esquecer que em nossa vida vai ter um letreiro: "The End"

Então, sim, acho uma baboseira um feriado de finados. Acho que deveríamos ter um feriado para celebrar a vida, essa meio em trancos e barrancos, mas que é nossa. Porque deixar de pensar na finitude, ah, isso não dá não!

Obs: falando em mortos, Fabiana, amanhã faz 10 anos que você saiu de casa e nunca mais voltou. Eu penso em você todos os dias desses 10 anos. Te amo, você faz falta.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Vida em Família

Estou aqui com a primeira temporada da série norte-americana, "Brothers and Sisters". Assisti pouco dela e mesmo assim já digo que gosto, mesmo com os clichês característicos: pai morto, mãe alienada, filho homossexual, filho perdido, e filhas neuróticas. (Ponto a favor: As talentosíssimas, Calista Flockhart, Sally Field e Rachel Griffiths).
Gosto, porque quando assisto me vejo, encontro detalhes sórdidos, vívidos e esperançosos em mim e nas pessoas da minha família, porque se é clichê, é porque basicamente, assustadoramente, eles acontecem de monte (seria essa frase um clichê?).

Aprendi quando pequena a me infiltrar na biblioteca do meu pai, a folhear as páginas e conquistar uma estante só pra mim - seria por isso a minha adoração por livros? Mostrava a meu pai algumas coisas que ele não conhecia, e na minha imaginação - não sei se foi algo real, concreto - ele gostava. Uma das mais vivas é a de assistir os filmes do Quentin Tarantino com ele, e quando comprei os Dvds, o peguei muitas vezes assistindo e dando risada com as cenas bem pitorescas do "grande" Quentin. Logo depois, ele curtiu "Cães de Aluguel".
Ele ouvia minhas músicas e pedia pra botar pra tocar. Acho que o silêncio o incomodava bastante. E como uma coisa leva a outra, eu ouvia o que tocava no rádio do carro dele. Lembro da pequena viagem que fizemos, ele me levando para o aeroporto, de madrugada, e a gente conversando sobre a vida dele, das dificuldades da adolescência, da pouca grana, da muita vontade - e tocava de fundo um antigo disco do Roberto Carlos, que ficou marcado em mim, porque a conversa foi boa e talvez, porque o disco seja bom.

Minha prima quando me viu ouvindo umas músicas tipo New Kids on The Block (eu tinha meus 12 anos), me levou para seu quarto e mostrou seus discos. Lembro de alguns deles: Sex Pistols, The Smiths, Rage Against The Machine, Black Sabbath e um disco duplo do Caetano - que hoje é um dos meus preferidos. E não sei se por acaso, esses discos e bandas entraram em minha vida e nunca mais saíram. Mostrei o disco "Mais", de Marisa Monte à ela, e ela gostou e o escutava. A última vez que a vi conversávamos sobre o disco ao vivo da banda Portishead. Ela amava, eu amo.

Não tenho nada de muito em comum com minha mãe e com minha irmã, mas de alguma maneira, de forma boa, penso eu, elas me influenciam todo o tempo, com conversas, atitudes, comportamentos. Uma vez, minha irmã disse que quando ouvia "Esquadros", da Adriana Calcanhotto, como mágica, pensava em mim, na parte em que a canção diz: "Eu ando pelo mundo prestando atenção em cores que eu não sei o nome, cores de Almodovar, cores de Frida Kahlo, cores...". Não sei bem o motivo, mas me emocionei.

Primas, primos, tios, tias, uma variedade de gente e de gostos e de posturas que interferem na sua vida e faz com que você aprenda, mesmo muitas vezes, não de maneira agradável a se posicionar de outra maneira.

Eu tenho um sobrinho, pequenino, e sempre lhe dou de presentes, livros - para ele já ir montando a sua "estante", discos e filminhos, porque é o meu único legado. Não sou corajosa, não sou talentosa de maneira prática, sou prepotente e orgulhosa, já muito cansada, e isso, eu queria que ele não notasse, não percebesse. Não sei se é possível, mas tento arduamente, todos os dias que ele veja apenas as cores de Almodovar em mim.

Família é clichê. Na minha há os neuróticos, os homossexuais, os alienados e os problemáticos. Na família de todos...
Talvez por isso, valha a pena conferir, "Brothers and Sisters". E como clichê, chorar em muitas das cenas.