quarta-feira, 26 de maio de 2010

Virada Cultural: Cat Power

E eu tinha razão sobre o show da Cat Power aqui em São José dos Campos - a maioria das pessoas eram de São Paulo - as pessoas daqui nem sabem quem ela é. Mas foi bom também!!! Ela estava simpatissíssima, carismática e com a roupa habitual dela. Cantou seus clássicos, como "Don't explain", "The Greatest", "Lived in Bars", "Satisfaction (I Can't Get No)".

O bizarro ficou por conta dos políticos do PSDB: Como eu estava na segunda fileira atrás das grades que separam o público do palco, o prefeito, deputados e o governador do Estado foram conversar com a gente (saímos em todas as fotos), mas eles permaneceram apenas até a segunda música da cantora e se retiraram. Esse povo não tem mais o que fazer???

quinta-feira, 20 de maio de 2010

O mundo ao contrário

Ainda conseguem arrasar o meu coração já todo quebrado.
Culpa das tais esperança e persistência da gente que quer acreditar que nosso coração já não vai ser mais machucado, que nosso corpo vai se recuperar, que a nossa razão é maior que qualquer machucado. Mas veja bem: quantos loucos existem por aí?
Sejamos honestos: A maioria das feridas não cicatrizam porque elas são sempre abertas por outras pessoas. Sejamos honestos novamente: As pessoas são cruéis.

"Holocaustos não me assombram. Estupros e trabalho escravo infantil não me assombram. Fico assombrada quando deixo cair uma luva na rua e um adolescente corre dois quarteirões para devolvê-la. Fico assombrada quando a moça do caixa me lança um amplo sorriso, junto com o troco, quando a minha fisionomia era apenas uma máscara apressada. Carteiras perdidas enviadas aos respectivos donos pelo correio, estranhos que fornecem indicações precisas de uma rua, vizinhos que regam as plantas uns dos outros - essas coisas me assombram". Lionel Shriver.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Arrepio

Tô absolutamente vidrada na Cat Power (sempre fui, mas ultimamente só ouço ela na vitrolinha) e essa música é genial.

Oh yes, I love you...my love. Skin to skin...No, don't stop...now

quinta-feira, 13 de maio de 2010

No blog dos outros


Olhando alguns outros blogs por aí encontrei um que gostei, delicado, honesto e bonito. O endereço é : http://thiagoiglesias.blogspot.com
E deixo aqui um poema do autor.


Aqui nada é de verdade
Tudo se faz e vira saudade

Saudade que não completa
Não conforta, mas saudade

Aqui nada é pra ser verdade
Mas tudo em realidade
O que se faz vira saudade

Tal maneira que invade
O corpo a alma se desloca
De vontade ser realidade

Assim, venho aqui, vou
Deixo sorrisos, bondade
"isso vai deixar saudade"

Saudade é triste, é gostosa
Saudade malvada, faminta, forte

Venho pra deixar saudade?
Acho pouco, pois fui de verdade.

Thiago Iglesias.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Cat, a poderosa


Pra quem diz que eu sou elitista e só dou dicas "para quem tem grana", aí vai uma que não precisa de um centavo: a super poderosa e uma das maiores vozes dessa geração, Cat Power fará show GRATUITO em São José dos Campos no dia 23, às 17h, no Parque da Cidade.

Já estou entusiasmadíssima para ouvir a gata cantando músicas como: "The Greatest", "Lived in Bars", "I Found a Reason" e "Wild is the Wind".

Mais bacana, impossível!!!

terça-feira, 4 de maio de 2010

A farsa

Contatos de Quarto Grau" é um filme que promete muito e cumpre pouco.
Ele absorve a técnica do 'pseudocumentário', que ficou famoso em 1999 com "A Bruxa de Blair" e mais recentemente com "Atividade Paranormal". A história narra a vida da suposta psicóloga Dra. Abigail Tyler, que na cidade de Nome, Alaska, teria atendido inúmeros pacientes abduzidos por alienígenas. No início do filme a atriz Mila Jovovich se apresenta como ela mesmo, atriz, que interpretará a psicóloga e avisa que nós iremos assistir uma "recriação dos fatos" e que são "perturbadores". O filme lança mão de vídeos supostamente gravados pela Dra. Tyler, assim como gravações de voz e uma entrevista com a própria Abigail Tyler.
Terminado o filme, mesmo uma céptica como eu, acha que o filme é relevante e mesmo, assustador, embora tenha percebido algumas incoerências e absurdos do roteiro. Mas eis que a verdade aparece depois de uma procura pelo nome do filme na internet: o filme não narra uma história verídica, é apenas uma história. Até aí seria algo normal, já que o cinema é fantasioso e pode-se contar o que quiser, mas partir de uma premissa verdadeira quando na verdade ela é absurdamente falsa é outra.
Acho mais que devido a pessoa que assiste o filme saber se ele é algo fictício ou não, como foi demonstrado nos já citados "A Bruxa de Blair" e "Atividade Paranormal". "Contatos de Quarto Grau" só é assustador e intrigante quando não sabemos a verdade. Mentira desfeita ele não se sustenta e é caso até de Procon.
A distribuidora antes do lançamento do filme disponibilizou na internet artigos que supostamente seriam da Dra. Abigail e fez com que parecesse realidade. E agora a mesma distribuidora está sendo processada.
Poupem o tempo de vocês e desprezem esse engodo!

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Imagens...



























que balançam o meu mundo!!! Penélope, Julianne Moore, Kate Winslet, Naomi Watts e Meryl Streep.
As fotos foram feitas para a Vogue (edição francesa), e editadas por Penélope Cruz.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Nova sensação: Paula Parisot


A Editora Leya está cada vez me surpreendendo mais! Dessa vez foi o livro da queridinha e protegida de Rubem Fonseca: Paula Parisot, "Gonzos e Parafusos". O texto não chega a 200 páginas mas é denso, mordaz e utiliza de muito humor negro. Não é um livro difícil nem tampouco fácil: é dolorido.

A psicanalista Isabela, assim como muitas analistas, é um ser machucado. Através de uma narrativa em primeira pessoa, Isabela fala de sua infância, seus pais, seus avós e seus poucos amigos e quase nenhum romance da vida adulta. A psicanalista do livro tenta se matar por duas vezes sem êxito. Não tem alegria de viver, nem muita vontade de morrer. Sobrevive aos dias, ao tédio, à vida burocrática, ao trabalho que nem sempre é grandioso e vive a loucura "normal" dos dias atuais: A falta de perspectiva, o receio da idade, o tempo que passa sem nenhum conquista valiosa, o peso da culpa, de remorsos, de tristeza, de perdas...

Paula Parisot chegou a publicar um livro de contos pela Companhia das Letras, chamado: "A Dama da Solidão", mas foi com esse trabalho atual que chamou atenção dos leitores e de grandes figurões. Não é pra menos. A autora escreve com traços clássicos uma história atualíssima e que dificilmente o leitor não se identifica.

Mas sejamos honestos: Parisot não é pra qualquer um. Ela cita determinadas coisas que só uma pessoa com uma certa bagagem cultural consegue absorver, por exemplo, as obras do pintor Gustav Klimt e de Egon Schiele e algumas pinceladas da teoria freudiana. Mas mesmo assim, ela consegue ser popular ao descrever sentimentos universais que tocam todos sem necessariamente nenhuma bagagem intelectual. O problema é que essas pessoas não perdem e não vão perder seu tempo comprando uma obra de uma escritora pouco conhecida. As pessoas já não têm o hábito de ler, e quando isso acontece, procuram logo a lista dos mais vendidos.

Um lado meu fica feliz. Não é todo mundo que merece uma escrita primorosa, bem cuidada e com segurança, são poucos os destinados a lerem algo do tipo de "Gonzos e Parafusos", pois Paula permanece com uma linguagem popular, mas de jeito nenhum é uma escritora pop. E que seja assim!

"Como disse Freud: A vida se empobrece e perde interesse quando a maior ficha do jogo da vida, a própria vida, não pode ser posta em risco.Por favor, não me critiquem dizendo que uso e abuso de citações freudianas. O que posso fazer? A verdade é: Freud nunca é demais." Pag 108.

Melhor ainda, se o livro for lido ao som de um jazz, a dica fica por conta de Charlie Rouse e seu cd, "epistrophy".

Obs: a imagem anexada nesse post é de Paula em uma de suas performances (ela também é performática) para divulgação do livro ao lado de Rubem Fonseca.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Criação


O longa conta a história e o drama do cientista Charles Darwin. E mostra quase que didaticamente a teoria que abalou o mundo das idéias há mais de 150 anos.

Darwin escreveu "A Origem das Espécies", em 1859 em uma Inglaterra vitoriana e crente em Deus. Mas o filme não mostra apenas o dilema do cientista em publicar o estudo em que "mata deus", mas os dilemas familiares: a perda da filha de 10 anos, a religiosidade de sua mulher, vivida nada mais nada menos por Jennifer Connelly, e sua saúde precária.

O filme não é sensacional, nem fica perto disso, mas tem uma interpretação poderosa de Paul Bettany, uma direção de arte bem feita, e uma história que prende não só os amantes da teoria darwniana, mas também os leigos (atrás de mim no cinema, o homem pergunta para mulher ao seu lado: do que se trata esse filme? - resposta: sobre a vida de Darwin - outra pergunta: quem é Darwin?) Se não fosse triste, seria cômico.

E para o mesmo anônimo que me perguntou porquê Jennifer Connelly era uma das maiores atrizes vivas, taí uma boa resposta: assista ao filme e perceba que mesmo fazendo um papel "menor", ela se destaca em cada fala, em cada expressão facial e corporal. Alem de ser bela, belíssima, de morrer e de viver.

Bora para os cinemas...

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Informações importantíssimas (e rápidas)

Rápidas, porque elas me enojam. E importantes só em ironia...

Se não bastasse, agora a Igreja Católica vem afirmar que a pedofilia é originária da homossexulidade. Hum...nunca estudei isso na faculdade de Psicologia ou na pós-graduação em Psicanálise, mas claro, eu estou errada e a Igreja em sua grandiosidade e gente de bem é que está certa.
O presidente Lula foi pousar ao lado dos sobreviventes do Haiti, mas não deu as caras em Niterói. Mas não vamos ser injustos com o presidente. É que a foto de lá veincula mais do que aqui.

Nas próximas eleições temos candidatos importantíssimos: Tati Quebra-Barraco e Ronaldo Ésper (aquele mesmo que arrombou cemitérios). Boa votação para todos.

Quando a gente acha que não dá pra piorar, caímos num buraco ainda mais fundo...

segunda-feira, 12 de abril de 2010

O fenômeno dismitificado


Nesse final de semana eu resolvi alugar "Crepúsculo" e "Lua Nova" para tentar entender o porquê de tanto frenesi dos adolescentes em relação, tanto aos filmes quanto dos livros. Acho que entendi um pouco...

Nem de longe, nenhum dos dois filmes me cativou. Achei a história, os atores e até os efeitos especiais, ruins, por isso, ler os livros, está fora de cogitação. Até porque quem tem um pouco mais de idade e já assistiu há muitos filmes e uma porção sobre vampiros e lobisomens, sabe que existem muitos destes filmes que são superiores. O meu preferido continua sendo, "Drácula de Bram Stoker", com o incrível Gary Oldman no papel principal. Mas o interessante é realmente analisar o interesse dos jovens pela saga e o interesse não advém apenas de ser uma história sobre vampiros e lobisomens, aliás, isso é o de menos.

Quem tem adolescentes por perto ou convive com eles diariamente sabe da dificuldade existencial que eles passam. Continuam crianças ou são "quase" adultos? Ao que eles têm direito? Quais são seus deveres?

Os filmes narram principalmente a vida de uma humana e não de um vampiro ou lobisomem, e é nessa humana que muitos adolescentes se espelham. Uma adolescente que tem os mesmos problemas que todos os outros: pais divorciados, problemas de adaptação em casa ou num ambiente escolar, falta de amigos, solidão, falta de confiança nos pais e etc. E Isabela, a protagonista, apesar dos problemas comuns e naturais dessa idade, é destemida, forte, eloquente, inteligente e acima de tudo, sabe o que quer. Ela sabe o que a maioria dos adolescentes de hoje não sabem. Ela sabe o que quer da vida apesar dos medos que decorrem de suas escolhas. Ela é a heroína e a principal personagem, justamente porque escolhe.

Além disso, é curioso constatar que os filmes chegam a ser melosos, de tão românticos. Mas uma vez, não trata-se de um enredo sobre seres espetaculares e heróicos (no sentido sobrenatural), mas dos amores adolescentes. Na vida de uma adolescente de mais ou menos 15 anos, quem é o garoto bonzinho, ou o bad boy atraente? Em qual dos meninos da escola confiar para dar o primeiro beijo? Aqui, enfatizo, beijo, e não sexo, porque o filme é romântico, mas é assexuado.

Engana-se quem pensa que essa garotada desenfreada, em sua maioria são pessoas que querem ser "desviantes", desrespeitosos, mal educados. Eles querem a independência e por isso usam um arsenal de armas para que todos ao seu redor pensem exatamente que eles são difíceis. Mas não são. No fundo, o que eles querem é aquele amor romântico de centenas de anos atrás. Aquele mesmo da Cinderela ou de qualquer conto de fada. Eles querem se apaixonar loucamente e confiar plenamente nesse outro para poderem se entregar "de corpo e alma". E é exatamente isso que eles vêem nos filmes: uma entrega apaixonada de duas pessoas (aqui, pode retirar o fato de um deles ser vampiro), o vampiro é o conto de fada que se transforma no homem (menino, ou garoto) ideal.

"Crepúsculo" e "Lua Nova", enfim, servem para alguma coisa e os pais devem assisti-los para, exatamente, dismitificar seus filhos como seres irrresponsáveis e sem rumo. Eles têm rumo, só não encontraram o rumo a ser escolhido. Esses adolescentes amam e querem ser amados, e por terem dificuldade que isso aconteça (porque são sonhos e não a realidade), é que se portam, muitas vezes, de maneira irada e irresponsável. Querem ser notados.

Fora isso, a saga Crepúsculo não oferece mais nada. Mas não é pouco, diga-se de passagem.


quinta-feira, 8 de abril de 2010

Lie to Me e a ciência




"Lie to Me" (aqui no Brasil, com o título horroroso de "Engana-me se puder") não é só um seriado norte americano interessante, ele parte de uma premissa viável e que chama atenção de qualquer pessoa: como detectar que o outro está mentindo? Pergunta fácil para o Dr. Cal Lightman (Tim Rooth), especialista em ler as expressões faciais e a linguagem corporal.
Estudos psicólogicos, psiquiátricos e neurológicos apontam que é possivel tal vertente de credibilidade. Juntos com biólogos, os especialistas chegaram à conclusão que as emoções humanas e a forma de expressá-las são inatas e universais. Em outras palavras: alegria, dor, raiva, nojo, vergonha, irritabilidade e outras emoções são mostradas pelas faces e corpos das pessoas da mesma maneira, sendo elas, crianças, adultos, idosos, brancos, negros, índios, praticantes de qualquer religião ou de qualquer parte do mundo.

A expressão facial da culpa é a das mais interessantes e mais fáceis de se detectar, é só olhar para as faces do ex jogador O.J. Simpson e do ex presidente George W. Bush. Mas as vezes essas expressões são tão rápidas que o locutor ou observador não conseguem identificar. Muitas vezes é necessário equipamentos de câmera para monitorar o que os cientistas chamam de "microexpressões".

Na série televisiva criada pelos mesmos produtores de "24 Horas", como em qualquer série de investigação policial, as coisas parecem mais simples do que de fato elas são. Mas "Lie to Me" é fortalecida por fatos científicos e bases concretas e empíricas.

Seria uma tremenda evolução para a maioria das ciências que essa técnica fosse mais estudada e que houvesse mais artigos e livros sobre o assunto. Se assim tivesse sido no passado, O. J. Simpson estaria na cadeia e o povo dos Estados Unidos não teriam elegido George W. Bush.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Dicas rápidas


O livro de John Harding, chamado: "A menina que não sabia ler". Embora a edição brasileira tenha esse nome, o britânico e verdadeiro nome é: "Florence and Giles". Bonitinho e gostoso, contém algumas gafes e faltas, mas vale os dois dias que você leva pra ler. E depois de terminar o livrinho, mergulhe de cabeça no filme grandioso de Guillermo Del Toro, de 2006, "O Labirinto do Fauno". Contos de fadas são sempre bem-vindos!

O disco sen-sa-cio-nal da sambista e cantora carioca Mart'nália de 2006 (Só ouvi agora): "Em Berlim ao vivo". O cd conta com músicas de Caetano ("Menino do Rio"), Chico Buarque (Deixe a Menina/Sem Compromisso), "Estácio, Holly Estácio" (Luiz Melodia) e a deliciosa "Cabide" e "Celeuma" e "Fato Consumado" (Djavan). Vale cada minuto!

sexta-feira, 26 de março de 2010

O brilho eterno de uma mente COM lembranças

Obrigada por ter passado o dia e a noite comigo, conversando e rindo enquanto eu estava sozinha ouvindo as conversas dos apartamentos próximos, obrigada por segurar a minha mão quando de tarde o desânimo se aproximou, obrigada por ter me colocado no colo e respirado comigo quando o ar faltou durante a noite, obrigada por tentar me esquentar durante a madrugada. Obrigada por estar em meus pensamentos. O pensamento é capaz de inventar tudo aquilo que ele sente falta e assim sendo, obrigada, Fabiana.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Um segundo olhar




No prédio que eu moro agora, no quarto andar, uma das minhas vistas dá para duas casas vizinhas. A primeira, com piscina, churrasqueira, geladeira da Bohemia e muita gente bronzeada em dias de sol. Na outra, uma casa imensamente simples com um terreno grande e uma Belina enferrujada estacionada sem nunca sair de lá (acho eu que é Belina).
Quando mudei pra cá, achava a casa com a piscina incrível, as pessoas se reuniam para um churrasquinho e brindavam ao som de um gol na tv. Mas com o passar do tempo eu vi que era exatamente e só isso o que acontecia nessa casa: não havia uma aproximação maior entre seus visitantes e moradores, era (e é) algo como um clube onde as pessoas se encontram para bater-papo de vez enquando. A casa vive vazia quando chove e não tem circulação de gente quando não há sol, apenas um cara limpando a piscina de vez em nunca. Em compensação na outra casa, a mulher, que eu julgava solitária, recebe visitas todo o tempo. Ela está sempre com roupas simples, tipo camiseta maltrapilha e short de 10 anos, com seu cigarrinho na mão e aguando as muitas plantas do terreno. Uns dois ou três meses atrás, ela colocou pra tocar bem alto um disco da Janis Joplin com algumas das minhas canções preferidas, como : "Piece of My Heart", "Summertime" e "Maybe", outro dia, o que tocava era Rolling Stones, daqueles discos antigos, cheio de energia. A casa do lado só deve ter um disco do Zeca Pagodinho.

E uma semana atrás, mais ou menos, era noite e a anfitriã de roupas decadentes recebia algumas pessoas com uma fogueira acesa, uma mesa de comida no terreno, e várias pessoas juntas, abraçadas conversavam verdadeiramente animadas. Começou a chover, ela levou as cadeiras para o lugar coberto e esperou sem ansiedade a chuva parar para colocar de volta os convidados no terreno que só tem as plantas, a belina e um cachorro saltitante que nos dias de sol, pula em cima do carro para se esquentar. Nesse dia da fogueira, a música que rolava era "Todo amor que houver nessa vida", de Cazuza e Frejat, e foi exatamente nessa hora que eu percebi que eu queria ser amiga dessas pessoas e não daquelas que se cumprimentam e se "esquecem" na cadeira de sol enquanto se embriagam de cerveja e falta de assunto.