terça-feira, 27 de março de 2007

Acontecimentos

Fui passar a tarde na casa de uma grande amiga. Se me perguntassem o que a gente fez durante as horas, diria que tomamos café, comemos bolo e conversamos. Alguns me diriam que foi então uma tarde comum.
Depende do ponto de vista. Percebi ao passar dos anos que pode se viver uma vida com determinadas pessoas e nada aprender, compreender ou fazer sentido. Mas algumas pessoas são ilustres - não por seus títulos, tenho certeza que minha companheira da tarde poderia ser tão interessante mesmo se não possuísse um diplominha de doutorado - mas porque fazem de algumas horas uma experiência única.
A identificação com alguém é essencial; pra mim, não basta ter beleza, dinheiro ou poder. Elas precisam ser responsáveis para com a amizade e serem inteligentes ao ponto de trocarem experiências.
Conversamos um pouco sobre Madame Bovary de Flaubert e agora me vem à cabeça um trecho do livro que diz mais ou menos que Ema esperava no íntimo, um acontecimento qualquer, como marinheiros em perigo, procurando, ao longe, alguma vela no horizonte. A protagonista de Gustave Flaubert não é tão diferente das mulheres (e homens) da modernidade. Nós queremos sempre acontecimentos e alguém para nos segurar quando a maré estiver braba.
Só que para alguns, o acontecimento tem que ser noticiado em todas as colunas sociais, ou, algo que beire o inacreditável e impossível.
Eu me satisfaço com risadas de contentamento por uma divergência de idéias, de uma crítica à dois sobre um livro, uma música, um filme. Uma troca de paixões por existências que faz da nossa existência algo mais leve, mais suave, mais feliz.
As vezes a felicidade está na simplicidade das relações que tanto tentamos complicar.
Obrigada por sua existência Danielle.

Obs: Isso serve também como uma declaração de amor e carinho.

2 comentários:

pedro disse...

entendo perfeitamente isso...

mauriciodndm disse...

Acho que esse texto é formidável. Parabéns mesmo.