sábado, 26 de abril de 2008

A religiosidade e seus símbolos

O diabo é um mito vizinho ao do dragão, simbolizando o encerramento, o limite. Passar desse limite é ser maldito ou sagrado, "vítima" do diabo ou eleito de deus, é a queda ou ascenção.
Religiosamente, o diabo é o divisor, o desintegrador e preenche uma função que é a antítese exata do símbolo: a de reunir, integrar. Ao mesmo tempo ele exprime a combinação das forças e dos 4 elementos da natureza em meio dos quais se desenrola a existência do homem. Essa parte específica fica fora das aulas de catequese e das missas dominicais...
É hermafrodita, lembrando os domínios do inferno, onde o homem e o animal não se diferenciam.
Pergunta: Só no inferno não há diferenciação ou o inferno é a Terra?
E psicologicamente falando, se o diabo é a regressão ao desejo de satisfazer suas paixões, não é interessante afirmar a importância de seu simbolismo que é a própria importância fundamental da Libido, sem o qual não há desabrochar humano?
Interessante assinalar também que o símbolo do demônio é uma iluminação superior às normas habituais que permite ver mais longe e com mais segurança, mas para a demonologia cristã, os demônios são apenas anjos que traíram a própria natureza revelando-se inimigos de toda a natureza, antagonistas do ser.
O dragão, na visão cristã, aparece essencialmente como um guardião severo ou como um símbolo do mal e das tendências demoníacas, mas na verdade o dragão é o guardião dos tesouros ocultos. Psicologicamente podemos interpretar o símbolo do dragão como o guardião de nossos pensamentos, desejos e sentimentos inexpressados, não manifestos. Tal visão também fica fora das "escrituras" e dos ensinamentos da igreja cristã.
Na dita "sociedade divina", dragão é visto como um símbolo do mal, mas no oriente é o símbolo do mercúrio filosofal. (E iso pode ficar interessante se os que estiverem lendo esse texto também forem leitores de Harry Potter) já que os dois dragões que se dão combate designam duas matérias em busca da pedra filosofal e são sentinelas do portão do jardim onde é possível colher sem medo os pomos de ouro.
Não entendo até o determinado momento, porque a igreja cristã não tentou censurar os livros do pequeno bruxinho...
Os teólogos são tão previsíveis a ponto de divulgar incessantemente apenas as imagens de São Jorge e/ou São Miguel em combate com o dragão, ilustrando assim a luta perpétua do bem contra o mal.
Onde eu quero chegar? Na sociedade moderna já não existe uma diferença grande entre o bem ou mal, mas a igreja ainda com a mentalidade da idade medieval acredita no maniqueísmo para obter poder e assim influenciar milhões a praticarem atos violentos em seu nome.
A religião não salva, ela matou e continua matando todos os dias com a ignorãncia unilateral de seus precários ensinamentos.
Salve-se quem puder ou quiser.
(Agradeço à Nina pela ajuda do tópico).

3 comentários:

nina.harvey disse...

a nina aqui só deu uma opinião mas o brilhantismo é todo seu. beijos inteiríssimos.

valentina_costa disse...

Acho interessantíssimo quando os dogmas cristãos são questionados.
Você as vezes faz isso com muita raiva e em determinados momentos com muita sutileza. Neste texto você colocou essas duas coisas.
Gostei!
Beijos.

Fernando Bassat disse...

Texto fantástico Mara.