domingo, 18 de maio de 2008

My Blueberry Nights


Há muito tempo eu não saia tão emocionada do cinema. Ontem assisti, "Um Beijo Roubado" (My Blueberry Nights), primeiro filme em inglês do cineasta chinês Wong Kar Wai.
No elenco uma porção de gente famosa incluíndo a cantora Norah Jones, Jude Law, Natalie Portman e Rachel Weisz. Li algumas críticas dizendo que Norah Jones estreou muito mal como atriz. Não é a minha opinião, e quem liga mesmo para críticas?


Eu senti tantas saudades de sentir o que tocou o meu peito e fez derramar tantas lágrimas, e eu encontro novamente o cinema, a sétima arte.

Poderia-se dizer que a película trata de uma mulher que descobre a América, mas mais do que isso ela descobre a si mesma, e como o filme se passa em sua maioria em locais fechados como bares, restaurantes e cassinos, o olhar da personagem principal é focado na angústia, no sofrimento, no vazio, na decepção, nas dores dos outros. E é tanta dor...


As imagens que Wong Kar Wai coloca na telona são coloridas, muito azul, muito vermelho, muito rosa, para fazer um contra-tempo com o cinza acentuado da vida dessas pessoas em busca (não de um sonho grandioso), mas, de companhia, de conversa, de entendimento, de superação. (Será que eu estou enganada e no mundo atual essas coisas são grandiosas?)
A cena do tal "beijo roubado" do título em português, é tão incrível que o cineasta dispensou qualquer nota musical.
Falando em música, o cineasta chinês também escolheu bem: além de Norah Jones, Cat Power, Otis Redding, Ry Cooder e Cassandra Wilson.


Mas é só um filme de amor para quem quer vê-lo dessa maneira...
Se assim for, eles perderam 90% do filme.




6 comentários:

Mila disse...

Além de concordar com tudo o que você falou de tocante e sensível no filme uma das que mais me emocionou é aquela dor do adeus, quando as pessoas saem das nossas vidas, não necessariamente porque morreram, mas também por escolha própria. Eu lembro que a Norah Jones fala algo parecido com “aprender a viver sem alguém que você achava que teria ao seu lado pela vida inteira” e este “adeus” unilateral é uma das coisas mais doloridas da vida e talvez seja o meu medo principal, ter retirado de mim tudo aquilo que faz sentido. Por fim, uma frase do personagem do Jude Law que ainda fica em minha cabeça quando ele fala sobre um conselho que a mãe deu quando criança sobre se perde no shopping e que ele utiliza na vida adulta: “quando estiver perdido, pare até que alguém o encontre...”

Que todos nós continuemos a procurar entendimento, naqueles que compartilham do mesmo olhar, do mesmo desejo e abrindo velhas e novas portas, pois sempre há uma boa história a ser contada por trás de cada chave.

valentina_costa disse...

É realmente tocante e chega a ser desesperador.
Cenas belas como a do beijo, as do bar com a Rachel Weisz, que por sinal está deslumbrante) e pra mim quem leva o filme com a maior tranquilidade como se fosse uma criança brincando no parquinho é Natalie Portman. A cena em que ela diz a verdade para a protagonista é triste mas esperançosa.
Wong Kar Wai já está na lista dos meus diretores favoritos.
Queria ter muito assistido esse filme com você.
Beijos.

Anônimo disse...

filme bonito paca

Gean disse...

Vou esperar chagar às locadoras..

Fernando Bassat disse...

Gostei do que a Mila disse. Imagine quantas chaves a gente não tem em nossa própria história?
Acho que Blueberry Nights é o melhor filme que assisti em anos.
Mas é difícil usar racionalidade para falar dele. Ele é completamente emocional, do coração.
Beijos minha diva.

Gean disse...

Voltei neste tópico pra dizer que gostei, achei tocante o
que a Mila escreveu na primeira mensagem, bem no finzinho .."Que todos nós continuemos a procurar entendimento, naqueles que compartilham do mesmo olhar, do mesmo desejo e abrindo velhas e novas portas, pois sempre há uma boa história a ser contada por trás de cada chave".É isso.