quarta-feira, 18 de junho de 2008

Aniversário


Tem algumas lembranças que jamais serão apagadas.

Me lembro de quando eu era criança e muitas vezes preferia ao invés de brincar na rua ir para aquele quarto que ficava fora de casa, a do Jardim das Indústrias, cheio de livros seus e que você montou uma das prateleiras para eu colocar os meus gibis que você comprava toda semana. Imagino que seja daí o meu interesse por livros.

Lembro das vezes que eu te acompanhava à padaria e enquanto você bebia a sua cerveja, pedia um pedaço de pizza pra mim.
Lembro que comprava figurinhas e eu ficava toda feliz.

Me lembro de quando eu tirava notas muito ruins na escola e que eu tinha mais medo do que você podia me falar do que a mamãe, já que eu estava acostumada a levar umas surras dela, mas nunca de você.
Mas as minhas melhores lembranças são as mais recentes.

Nos últimos anos, você foi o meu melhor amigo. A gente falava de filmes, íamos ao cinema juntos, tomávamos café, ríamos e conversávamos.
Uma das imagens que eu mais gosto de lembrar é de você chegando da padaria, trazendo minha coca-cola e meu cigarro, preparando minha omelete ou minha pizza.

Me sentia bem e segura, mesmo muitas vezes, estando em lugares diferentes da casa, sabendo que estava acordado comigo de madrugada.
Me lembro do apoio em tudo que eu tentei profissionalmente, do carinho, do amor.
E nunca vou me esquecer do seu abraço aqui nessa quitinete onde agora estou.
Te amo mais do que as palavras podem dizer, meu pai.



Essa carta foi escrita duas semanas antes da morte do meu pai, e nunca foi enviada.

4 comentários:

Mila disse...

Eu vi o quanto vocês se amavam, bonita e isto não vai morrer nunca.

Fernando Bassat disse...

Beijo minha diva.
Como a Mila disse, o amor não morre nunca.

Lisa disse...

Um dia li que morrer é apenas deixar de ser visto. As lembranças, a história, os sentimentos sempre permanecem. Viva a experiência de vida!

Um grande beijo

nina.harvey disse...

meu amor, a gente conversou sobre isso, sobre a carta, sobre o fato de você não ter a enviado, de se sentir culpada e tudo mais. mas como se sentir culpada se era nítido que você o amava e demontrava isso muito bem de outras maneiras e era completamente recíproco? te amo. beijos inteiríssimos.