quarta-feira, 30 de julho de 2008

Sonhos

Ela me liga de manhãzinha, sabendo que estou acordada, porque não dormi, e fiquei sonhando acordada, desejando universos diferentes, tão meus e por consequência, dela.
E me diz quase chorando, quase desesperada:
-Acho que vou te perder.
-Da onde você tirou isso?
-Eu sonhei com isso, sonhei que você desligava o carro e me mandava descer.
E eu penso embrigada de café, de cigarro, de sujeira, de resto de noite e começo de dia barulhento e só chego à uma conclusão:
-Talvez você queira ir embora, descer do carro e andar por outras ruas.
Ela chora.
E no fundo eu sei que é verdade.
"Mas sempre me pergunto por que, raios, a gente tem que partir. Voltar, depois, quase impossível" Caio Fernando Abreu

2 comentários:

valentina_costa disse...

Triste e bonito, Ma.
Me lembrou aquele verso do Paulo Leminski: Quem bate mais na porta, quem vai ou quem fica?
Beijos.

Anônimo disse...
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