segunda-feira, 19 de março de 2007

Por Uma Vida Menos Ordinária

Alguns teóricos - filósofos, psicólogos e pensadores em geral - denominaram uma nova "patologia" para o sujeito da Modernidade, chamada de normose.
Se não bastassem os neuróticos, os psicóticos e os perversos, agora, em escala alarmante, temos os normóticos. A normose pode ser definida como um conjunto de normas, hábitos, valores e estereótipos que permeiam o modo de pensar e de agir do sujeito moderno. São valores aprovados pela maioria acarretando sofrimento, doença e morte, sem que tais sujeitos tenham consciência.
A verdade é que ser muito "normal" e seguir todas as regras sociais também não está valendo para o sujeito perdido nos dias de hoje. Nem todas as regras e leis são benevolentes, algumas são geradoras de enfermidades, mas como são adotadas por muitos que não se questionam a razão de determinados conceitos, esses muitos não se dão conta do seu caráter patogênico.
Ironicamente, e consequentemente, a normose é uma normalidade doentia e alienante. Uma necessidade de, a todo custo, ser como os outros, agir como os outros, pensar e sentir como os outros, enfim, ser o outro.
O desejo próprio desaparece, os homens já não escutam as suas próprias preces, eles rezam a prece do outro (a prece que foi convencionada pela sociedade, claro).
Não é novidade que pertencer à minoria é tornar-se vulnerável, é expor-se a crítica, a história está aí para confirmar o que acontece com aqueles que querem de alguma maneira mudar o sistema em que pertencem. Utopia? Bem provével, mas ideologia é bom e não dá câncer.
Sejamos diferentes daquilo que se convencionou "normalidade", afinal, tenho certeza que as pessoas interessantes que conhecemos são aquelas que não estão ligadas à convenções medíocres de uma vida ordinária que nos acostumamos a levar.

"O ser humano plenamente saudável é santo. Então, é como se estivéssemos diante de um objetivo quase inatingível. O santo está em nós potencialmente. É preciso despertá-lo". Jean Yves Leloup.

"Precisamos de algumas pessoas malucas; vejam só para onde as pessoas normais nos levaram..." George Bernard Swaw.

6 comentários:

Gean disse...

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Ideologia, religião etc são temas apaixonates que acabam virando prisão mental e cegueira! De qualquer forma , os homens perseguem com mais tenacidade e ferocidade por motivos ideológicos do que por motivação religiosa...os sacrifícios das vítimas(dezenas de milhões) de Hitler e Stalin , Pol Pot ...aínda estão frescos na memória! Ideologia dá um tipo específico de câncer , o da intolerância!

Beijão procê Ma.

mauriciodndm disse...

Eu li o comentário de Gean e discordo de algumas coisas, não é a ideologia que causa sacrifícios de vítimas, mas a manipulação de muitos, chamada pela Mara de normose, e esses muitos acabam não sabendo nem o que seguir e ficam com a maioria.

Ideologia, eu quero uma para viver!

Gean disse...

Mauricio, vc quer dizer que eram multidões que acionavam os fornos na Alemanha?

Gean disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
mauriciodndm disse...

Era as multidões sim Gean, alienados por sua normose de pertencer à maioria; acho que a Mara poderia explicar melhor. Talvez eu esteja errado pois eu não sei mais do que li no texto, mas acho que estou raciocinando na mesma linha.

J disse...

Excelente!!!!