sexta-feira, 15 de julho de 2011

Mais

Eu podia ter sido mais presente. Eu poderia ter ligado mais para você só para perguntar se o seu dia tinha sido melhor. Eu podia ter ido te visitar. Eu podia mais. Eu podia muito mais e tanto. E mais.
Agora não adianta mais os tantos "mais".
Descanse, porque você já lutou tanto e a vida não te deu quase nada, nem uma neta decente. Eu sei, eu podia mais, pois você era muito melhor e eu sempre fui de menos.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Vamos ser simplistas


Quando clinicava, apareciam no meu consultório, pessoas dilaceradas, ocas por dentro, sem aquela esperança grudada na carne. Tudo era muito difícil para elas, seus comportamentos, complicados de serem modificados.
Depois da minha saída do consultório, percebo que ao me deixar mais disponível para ouvir os outros, encontro os mesmos problemas, as mesmas reclamações, as mesmas queixas.

Na maioria do tempo, são mulheres (talvez porque elas se abram mais). Mulheres neuróticas, ansiosas, tristes com seus relacionamentos, mulheres com medo da solidão e da morte.

Ontem, uma senhora não aguentou e começou a chorar ao me contar sobre a doença degenerativa do marido. E que ela não estava preparada para deixa-lo ir. Porque ele era seu suporte, sua pilastra, seu amigo, companheiro. E com sua morte, ela não encontraria sentido nas tarefas cotidianas da vida. Ela se questionava: Para que acordar cedo e ir trabalhar? Para que fazer isso e aquilo se somos finitos e vamos morrer? Qual o sentido disso tudo?

Será que não exageramos em procurar sentido na vida? Será que estarmos aqui, e nos relacionarmos, convivermos, proporcionarmos alguma felicidade e companhia não é o suficiente? Por que precisamos de mais e mais e mais? Me parece que o passado e os bons momentos vividos não são suficientes para nós, que por isso, procuramos desde bebida, jogos, drogas, igrejas para nos confortarmos com o fim.

Não seria mais fácil e delicado curtirmos o que a vida oferece aqui e agora? vento no rosto, mergulho no mar, abraço apertado, poesias, um vinho compartilhado com alguém que a gente goste e outras tantas coisas, que fazem da gente, exatamente isso, humanos.

Pode parecer simplista, mas como já cantou Marcelo Jeneci: a gente é feito para acabar. Então antes de acabarmos, aproveitemos como consiguimos. Fácil? Não. Mas vale sempre a tentativa.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Inverno da Alma


Ok! Todos os críticos falaram muitíssimo bem, ganhou festivais importantes, foi indicado para tantos outros, mas não consegui gostar de "Inverno da Alma" (Winter´s Bone). Com excessão da atriz Jennifer Lawrence, que realmente está um escândalo, o resto me deu um certo tédio.

Então peço que para quem gostou do filme, me explique o porquê!!

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Equilíbrio

Minhas idéias me levam para labirintos inimaginados. Tropeço diariamente na escuridão que sempre está lá. E esse mundinho é tão fechado e claustrofóbico que não consigo descrever suas proporções nem a sua magnitude. Não é um mundo sonhado, nem romântico, muito menos desejado. Ele acontece. Ele é um dos meus mundos. Fico me equilibrando para não cair de vez nessa esfera que muitas vezes me dá medo, me agonia, me deixa inquieta. Eu estou entre os mundos, as linhas, a divisória. Todo mundo sabe e não, ninguém sabe como esse mundo particular é. E eu, bem, eu não consigo explicar. Faz 30 anos que eu tento e o máximo que consigo é fechar o olho, sorrir um sorriso amarelo e continuar.
Por isso, dentro de mim, com todas as forças, eu sempre admirei os equilibristas...

terça-feira, 21 de junho de 2011

Desespero barato

Que é que acontece com as pessoas? Vontade de gritar: Puta que o pariu. Enquanto isso vou tomando os remedinhos para dor de cabeça, para dor nas costas, para ansiedade, para dor na alma. Dores do mundo que não são minhas. Não são, nem quero que sejam, e no final, são tão minhas que eu as abraço e depois me torturo, me dilacero, me entristeço, me enlouqueço. Sim, não é o mundo que me enlouquece, sou eu, com as minhas vertigens baratas, meu conteúdo vagabundo, minhas cretinices sem fim. E tudo isso é desespero? É desesperador ser tão desesperado. Nessas horas a vontade é de encher a cara na padaria mais nojenta da cidade com cachaça das mais baratas e brindar o que não vem e nunca virá. Saúde!

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Blue Valentine - Namorados para Sempre


Uma história de amor. Uma história de quase amor. Uma história da perda do amor. Tantas histórias em uma (ou em várias que encontramos cotidianamente), tantos desesperos, tanta desesperança, muitos conflitos e algumas loucuras.

O medo de continuar vivendo e de continuar sofrendo em um relacionamento que já se tornou um abismo, o medo de se separar desse abismo, da rotina, da angústia já tão familar, tão nossa.
"Blue Valentine" é uma pequena pérola do cinema por ser tão cruel, cru, vívido com o espectador. Identificamos nossa própria finitude, não só amorosa, mas a finitude dos nossos sonhos, do nosso corpo, dos nossos prazeres, da vida enfim.

Por que é tão complicado manter um relacionamento? Acredito que muitas vezes cansamos de nos torturar, de nos machucar e por isso começamos a ferir o outro. E o outro também cansado das próprias feridas, não suporta a dor compartilhada. Está fatigado.

Mas o filme não é só desesperança, ele nos mostra que apesar das dores que nos acompanham, é melhor ter vivido um grande amor do que não ter vivido nenhum. Faz parte da nossa condição.
A minha pergunta é: a condição humana é bonita ou é simplesmente triste?

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Cabeça esquizo

Dentro de mim há esse espaço infinito que me tortura dia sim e outro também. "E se eu me ferisse?", "E se eu me cortasse?", "E se eu pulasse da janela?", "E se algo acontecesse, alguém sentiria minha falta por mais de 5 minutos?".
Ela me diz que nada do que ela me dá é suficiente. Será que ela tem razão? Será que eu realmente sou um pé no saco?
Papai disse que eu era uma boa pessoa. Papai morreu do coração. Ele não me sabia, não me conhecia. Será que morreu de desgosto?
Enterro meus pensamentos. Tenho que trabalhar, ser funcional, ser útil, ganhar dinheiro, ser educada com os outros, fingir fortaleza. Ok. Vambora para o mundo de mentirinha.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Diariamente, o bizarro

Acabo de ler na "Folha de São Paulo" que a Igreja Internacional da Graça firmou parceria com Itaú, Banco do Brasil e Bradesco para que os fiéis paguem seu dízimo por débito automático. Parece que eu vejo de tudo nesse mundo e não morro.

O mais interessante é que se o fiél não tiver dinheiro em determinado mês, a igreja (assim mesmo com i minúsculo) não o colocará na lista do SPC e do SERASA. Como eles são bacanas!!!
Nesses momentos eu agradeço a criação que tive, a educação e a cultura que me foram passadas e o incentivo a questionar qualquer coisa ao meu redor, porque a bizarrice não é mais excessão, é regra.

Ô mundo negro esse...

sexta-feira, 27 de maio de 2011

A menina querida, o mundo e eu

Um dia, há alguns anos atrás, uma menina muito querida, porém um pouco louca, me disse que se cortava com facas e canivetes para que seu sangue "preto e impuro" saísse do seu corpo.

Ela não é muito mais doida que nós, "seres normais", que apesar de levarmos nossas vidas acima de qualquer suspeita, cometemos nossos pecados, nos sujamos por tão pouco e nos machucamos com culpas e remorsos carregados dia após dia.

Minha menina querida tinha razão, seu sangue era tão impuro quanto o nosso, mas como uma vez, disse Freud: é uma pena que na maioria das vezes para entendermos o mundo a nossa volta precisamos estar doentes.

Ela tem essa compreensão e entende o mundo (e chora e se machuca por ele). A maioria que não tem rótulos psiquiátricos e não se auto-mutilam não entendem bulhufas desse mundo.

Eu não entendo mais.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Sensação do dia

Acordada por telefonema chatésimo, noite mal-dormida, dor de cabeça e tosse. Até o chocolate do chocolate quente que eu tentei fazer estava estragado. Tudo junto e misturado e eu penso em Clarice, e ela sussurra pra mim: "A esperança é um filho não nascido, só prometido, e isso dói". Ok! Pode parar de sussurrar agora, já entendi o recado.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Dicas da Semana



Ouçam os dois discos dessa cantora fofa chamada Tiê!
Outra cantora brazuca bem boa é a nada carioca Thaís Gulin, embora faça homenagens implícitas e explícitas ao Rio de Janeiro.
Ouçam!!!!

quinta-feira, 12 de maio de 2011

Frase do dia

I Always Crash in the Same Car já dizia o poeta. Metaforicamente perfeito. Lindo. Triste. Verdadeiro. E só de cantarolar a frase, sangra.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

# Eu Sou Gay













Neste exato momento, o Supremo Tribunal Federal está votando sobre a união civil dos homossexuais, e por enquanto falta apenas um voto para que essa imensa maioria de brasileiros consiga direitos iguais a todos os outros que trabalham e pagam seus impostos.


Mas a pergunta que não cala é: a discriminação vai diminuir?


Acabo de ler em um dos blogs da "Folha de São Paulo", que a jornalista Carol Almeida, 31, teve uma idéia que está circulando pelas redes sociais. Chocada com a morte de uma garota de 16 anos de idade em Goiás que foi assassinada pelo pai da menina que ela namorava, Carol escreveu: "Eu conhecia Adriele Camacho de Almeida. E você conhecia também. Porque Adriele somos nós. Assim, com sua morte, morremos um pouco. A menina que aos 16 anos foi, segundo testemunhas, ameaçada de morte e assassinada por namorar uma outra menina, é aquela carta de amor que você teve vergonha de entregar, é o sorriso discreto que veio depois daquele olhar cruzado, é o telefonema que não queríamos desligar. É cada vez mais difícil de acreditar, mas tudo indica que Adriele foi vítima de um crime de ódio porque, vulnerável como todos nós, estava amando".


Nascia assim, o projeto "Eu sou gay". Procurem mais para saberem! E palmas para a iniciativa da jornalista Carol Almeida.


Foto 1: Toda a galera aderindo

Foto 2: A banda "Cansei de Ser Sexy"

Foto 3: A atriz Hermila Guedes

Foto 4: Redação da revista "Trip"

terça-feira, 26 de abril de 2011

Dicas da Semana



É o que eu não páro de ouvir!! E ficou ainda mais bela nessa versão "light". É para escutar muitas e muitas vezes.

Outra dica é o filme, "Pânico 4". Que "Rede Social" que nada. Se é para falar de um assunto sério que seja, no mínimo divertido. E o quarto filme da franquia retrata claramente a visão adolescente de 15 minutos de fama, das visões medíocres e pequenas controladas pela tecnologia e meios interativos na internet. Salve, salve Wes Craven, Neve Campbell, Courteney Cox e David Arquette. E não se enganem, em nenhum momento, nenhum dos filmes "Pânico", foi filme de terror!!

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Alguns Livros


Quando comprei "Sinuca de Bico", não esperava muito dele. Mas no final, a surpresa: delirei. Guardadinho na memória, o primeiro livro do norte-americano JoshBazell já vai virar filme (segundo fiquei sabendo pela internet), vale cada página.
Sinopse: Implicante, ranzinza e com um humor negro cruel, Dr. Peter Brown é o último médico que gostaríamos de encontrar na emergência do hospital. O que ninguém sabe, porém, é que por trás de sua figura debochada, Peter esconde um passado inusitado: ele é Brwna, ex-matador da Máfia com um talento nato para a violência. Sua rotina no hospital é ameaçada quando um novo paciente o reconhece dos tempos da Máfia. Agora, Peter conta com as próximas oito horas de plantão para salvar o doente – e a própria pele – numa delicada cirurgia ou terá que enfrentar a vingança da Cosa Nostra.

O outro livro indicado é "Box 21", dos mesmos autores do muito criticado por mim aqui no Blog, "A Besta", dos autores suecos Anders Roslund e Börge Hellström. Não consegui parar de ler...
Sinopse: Uma mulher gravemente ferida chega a um dos maiores hospitais de Estocolmo. Os médicos, horrorizados, descobrem que os ferimentos foram causados por espancamento. Seu nome é Lydia Grajauskas. Três anos antes, Lydia e sua amiga Alena Sljusareva foram seduzidas pela promessa de uma vida melhor em Estocolmo, porém, em pouco tempo descobriram que foram vendidas a aliciadores para serem escravas sexuais. Ainda durante a viagem, as jovens são estupradas e espancadas. Ao chegarem ao seu destino, são aprisionadas em um cativeiro e obrigadas a se prostituir. O policial Sven Sundkvist e o introspectivo detetive Ewert Grens – o mesmo que encontramos no livro A Besta – estão de plantão quando Lydia é resgatada e levada ao hospital. Ao chegarem lá, porém, eles têm outro objetivo em mente: interrogar um traficante de drogas que é levado ao mesmo hospital após sofrer uma overdose. Sundkvist e Grens sabem que o traficante foi companheiro de cela do mafioso Jochum Lang, um criminoso que 25 anos antes, foi o responsável por ferir a companheira e parceira de Grens, deixando-a com danos cerebrais e físicos irreversíveis. Enquanto Lydia está no hospital, Alena consegue fugir. Orientada por Lydia, ela caminha até a Estação Central de Estocolmo onde os poucos pertences que conseguiram juntar estão guardados em um armário, o Box 21. Alena consegue levar o conteúdo do armário para Lydia que partirá em uma busca desesperada por vingança. De maneira surpreendente, histórias paralelas se encontram carregadas de tensão, e caminham para um inesperado clímax.

E para terminar, outro livro genial do escritor Tom Perrotta, de "Criançinhas". "A Professora de Abstinência é uma crítica ferrenha ao estilo de vida ocidental e seus valores.
Sinopse: Por querer ensinar jovens a ter prazer com responsabilidade, a professora de Educação Sexual Ruth é perseguida pelo Tabernáculo do Evangelho Verdadeiro, uma pequena , mas ativa igreja evangélica, e acaba sendo obrigada a ensinar abstinência sexual. Tim Mason, ex-roqueiro, ex-drogado, ex- alcoólatra que só conseguiu dar um jeito na vida depois de aceitar Jesus e se converter, é o treinador de futebol da filha de Ruth, e por isso os dois são obrigados a conversar, mesmo desconfiando um do outro. Apesar das diferenças e preconceitos, eles acabam descobrindo que partilham um desejo comum: defender sua convicções. A professora de abstinência é um romance forte, que nos coloca diante de velhos tabus sob uma roupagem contemporânea e que expõe não somente a hipocrisia na sociedade americana como em todo mundo.

Boa leitura!!!