
No site da Mtv, foi publicado um texto de Rafa Losso, e eu publico aqui porque assino embaixo de tudo o que ele escreveu, apontou, sem julgamentos morais e críticas à conduta social da cantora e compositora britânica.
"Quando um artista iniciante define o rumo da sua obra, passa à História suas intenções, angústias e defeitos. Às vistas do sucesso comercial, vivencia a potencialização de tudo aquilo que impulsionou os primeiros passos de sua carreira.
Há aqueles que começam a cantar para fugir de seus problemas, e se atiram ao universo subjetivo da arte para curar as feridas da alma com os aplausos e a atenção do grande público.
Em nossa cultura ainda não conseguimos fornecer proteção suficente para aqueles que desenvolvem uma sensibilidade acima da média, mas não conseguem administrar seus próprios fantasmas depois que o show acaba. Para que possamos aprender sobre nós mesmos, incentivamos e cobramos a sinceridade suprema daqueles que escrevem letras e nos emocionam com o conteúdo das suas vivências. Mas ignoramos as pessoas atrás dos holofotes, aquelas que voltam para casa depois de expostas, esgotadas, sentindo-se humilhadas e em um estado extremamente vulnerável.
Amy Winehouse é uma artista completa em nossa concepção cultural. Suas músicas já viraram trilha sonora de nossos dias. Suas letras já foram incorporadas na maneira com que enxergamos o agora. Mas está sem condições de continuar.
As imagens do show que fez na última sexta-feira, frente às 90.000 pessoas do Rock in Rio Lisboa, formam um pedido por socorro, não o primeiro ou o último. Como tantos outros antes, é um pedido claro, estridente, feio. Tão incômodo que a maioria prefere ignorá-lo, como se fosse parte do espetáculo, um truque para emocionar os mais suscetíveis.
E a história de Amy Winehouse tem um agravante trágico: a cantora não assume a posição de vítima. Em coerência com as suas letras, insinua que está tudo sobre controle, e que o estilo de vida que vive é o que escolheu. Isenta a coletividade da responsabilidade que tem. Põe os calçados do mártir, como se outro caminho não existisse para a imortalização de uma obra.
E não sabemos o quê fazer com ela. Enquanto não soubermos, melhor seria se Amy Winehouse ficasse em casa, longe daqueles que formam uma verdadeira ameaça para sua vida. Nós."


