segunda-feira, 21 de julho de 2008

O brilhantismo de Jennifer Connelly


Escrevi algumas críticas de filmes estrelados pela atriz norte-americana Jennifer Connelly quando contribuía para o "Caderno de cinema" e para quem me conhece não é nenhuma novidade que pra mim a Sra. Connelly ao lado da britânica Kate Winslet são as maiores atrizes cinematográficas do momento (momento = dez anos pra cá).

Jennifer estreou no cinema, ainda criança, sendo dirigida por nada menos que Sergio Leone em "Era uma Vez na América", fez magia ao lado de David Bowie em "Labirinto", encarnou uma homossexual no filme de John Singleton, "Duro Aprendizado", ainda pouco conhecida, ao lado de Antonio Banderas realizou o politicamente correto "De Amor e de Sombras" baseado no bom livro de mesmo nome da escritora chilena Isabel Allende. Com Jodie Foster produzindo e co-estrelando Billy Crudup, despeja sinceridade e dor no filme "Amor Maior que a Vida". Para muitos, seu melhor filme foi "Requiem para um Sonho" onde interpreta uma mulher viciada e prostituída. O reconhecimento do cinema popular ocorreu com o Oscar de melhor atriz coadjuvante (embora roube o filme) em "Uma Mente Brilhante". Em 2003 só não fez chover em "Casa de Areia e Névoa", uma das interpretações femininas mais consistentes dos últimos anos. Realizou junto com o diretor brasileiro Walter Salles, "Água Negra", um filme mal interpretado pela crítica em geral que não conseguiu capturar as nuances excepcionais do filme, e ela, mais uma vez, saiu ilesa de críticas negativas, assim como em "Hulk", um fracasso mundial que não mudou em nada sua filmografia. Nos últimos anos está gostando de fazer papéis de coadjuvante (papéis pequenos, não atuações pequenas), como: "Pecados Íntimos", "Diamante de Sangue" e "Traídos pelo Destino".

Jennifer é especial porque é diferente, é bonita sem apelar para uma sexualidade exacerbada, é mentalmente perturbada como evidenciam suas entrevistas, assim como as mesmas entrevistas revelam inteligência, bom humor e sensibilidade.

É politicamente correta (fez e continua realizando diversas promoções para diferentes causas sociais) sem ser careta. É indiferente aos holofotes, reclusa e concede entrevistas apenas para a divulgação de um novo filme.

Não tem medo de arriscar, já interpretou tudo quanto é tipo de gente em filmes independentes até os blockbusters, faz aquilo que acredita e isso se percebe pela força que empresta às mulheres que ela dá vida.
É diva sem ser esnobe, arrogante e super exposta. É elegante e não se repete.

No "Caderno de cinema" cheguei a escrever que Jennifer dá de 10 à 0 em atrizes super cultuadas como Fernanda Montenegro que já fez diversos papéis e tem sempre a mesma cara, o mesmo tom, os mesmos gestos, a mesma chatice. Connelly se desdobra e faz com que as pessoas se esqueçam dela para ajudar a personagem a ganhar credibilidade. De drogadicta, sem-teto, homossexual à alienada, esposa traída, esposa de esquizofrênico, faz tudo com perfeição, representa através do olhar (coisa bastante perdida hoje em dia no cinema norte-americano), da envergadura-postural, dos movimentos tênues, da loucura controlada.

Louca, linda, brilhante e perfeccionista. Alguém me prove que hoje tem gente melhor.

domingo, 20 de julho de 2008

Tudo errado?

E você disse no final do encontro: "deu tudo errado".
Ok. Pegamos metrô lotado de corinthianos, fomos drogadas num bar, paramos num hotel/motel de vigésima para descansar, paramos num café ainda dopadas e terminamos dormindo cedo e sem fazermos nada, absolutamente nada do que havíamos planejado num hotel que era proibido fumar em todos os lugares. Ok, deu tudo errado.
Fora isso, te ver é sempre certo, sempre bom, sempre legítimo, honesto, franco. Com poucas pessoas eu ainda posso ser simplesmente, eu.
O ruim vai ser o dia em que a gente não conseguir rir mais das nossas próprias trapalhadas.

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Escutando sem parar


Eu e Heleninha escutando sem parar (e ela diz que a música é doída, e eu concordo com ela)


I pack my case.
I check my face.
I look a little bit older.
I look a little bit colder.
With one deep breath, and one big step, I move a little bit closer.
I move a little bit closer.

For reasons unknown.

I caught my stride.
I flew and flied.
I know if destiny's kind, I've got the rest on my mind.
But my heart, it don't beat, it don't beat the way it used to.
And my eyes, they don't see you no more.
And my lips, they don't kiss, they don't kiss the way they used to, and my eyes don't recognize you no more.

For reasons unknown; for reasons unknown.

There was an open chair.
We sat down in the open chair.
I said if destiny's kind, I've got the rest on my mind.
But my heart, it don't beat, it don't beat the way it used to.
And my eyes, they don't see you no more.
And my lips, they don't kiss, they don't kiss the way they used to, and my eyes don't recognize you at all.

For reasons unknown; for reasons unknown.

I said my heart, it don't beat, it don't beat the way it used to and my eyes don't recognize you no more.
And my lips, they don't kiss, they don't kiss the way they used to, and my eyes don't recognize you no more.

For reasons unknown; for reasons unknown; for reasons unknown; for reasons unknown.

(The Killers - For Reasons Unknow)

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Resposta

L, pensando bem no depoimento que você me escreveu, resultou nisso:
Você me chamou de diversas coisas e egocêntrica, elitista quem sabe?
A minha definição de elitista é simples e aqui é usado deliberadamente num sentido crítico de desaprovação de determinadas condutas ou comportamentos políticos, sociais e culturais vistos como indesejáveis na constituição de uma sociedade.
E segundo você, ainda sou louca.
Pensando bem, você tem toda a razão. Levo o crédito de que o amor é mais forte que os sinais de morte, o desejo da valorização da dignidade da pessoa, sonho e defendo a potencialidade humana, sobretudo daquelas em quem a sociedade de consumo não confia, a luta constante contra o desânimo, sabendo que o risco da esperança nos impele a propor caminhos sem ter o mapa exato do futuro. Os franceses costumam chamar de "loucos de Deus". Se eu acreditasse em Deus, possivelmente veria nisso um elogio.
Já dizia um grande psicanalista chamado Jurandir Freire que quem põe o dedo na ferida corre sempre o risco de provocar o sangue da incompreensão, do desagrado. (E diante das nossas elites, vai fundo na cultura da indiferença), porque realmente acredito que a indiferença anula quase totalmente o outro na sua humanidade.
Quem é elite e egocêntrica? Eu ou você?
O que me chocou não foi tanto a truculência das agressões verbais, mas a impotência de ter que lidar com isso sozinha, e eu aprendi a reagir a qualquer sentimento de indiferença, pessoal ou coletiva.
Quem disse que eu era utópica quando afirmei acreditar numa nova consciência, uma sede de participação, a afirmação positiva da pluralidade e da diferença,o valor do tempo presente, a radicalidade da dignidade humana?
Deixando claro: aceitei o depoimento, e até acatei as ofensas e logo depois o "te amo", mas não jogue para cima de mim o lado privado da sua violência pública, porque você sabe quem eu sou e eu sei muito bem quem você é.

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Old Memories


"I want you" cantada por Bob Dylan, repetidas vezes.
Tentando, tentando amor; só economizando forças para mais um round. E sem música não há dança interna, e a gente já falou sobre isso.
A gente já falou sobre tanta coisa e não cessa, não cessa
Não.
E nunca chegamos a lugar nenhum, só lugares-comuns.

"As pessoas me dizem que é pecado
Saber e sentir tanto por dentro
Eu ainda acho que ela era minha alma gêmea
Mas eu perdi a aliança
Ela nasceu na primavera
Mas eu nasci tarde demais
A culpa foi de uma simples virada do destino".

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Conversa com Tiburi e Veríssimo

Semana passada em frente à TV sem grandes esperanças fiquei animada em saber que a filósofa Marcia Tiburi iria dar uma entrevista ao Jô. Fiquei ligada esperando por ela e não fui decepcionada.
Tiburi não faz pose, não dá uma de intelectualóide de décima categoria - porque é intelectual de primeira - e consegue aproximar a filosofia dos pobres mortais que nunca ouviram falar de Heidegger, Hannah Arendt, Sartre ou qualquer outro.
Estava concedendo a entrevista para divulgar seu novo livro, que ainda não li, e da explicação do livro fez uma constatação interessante: duas ou mais pessoas acham que conversam, mas não o fazem. Não há continuidade ou fluidez no discurso, porque cada um está interessado em dizer sobre ele, assim o questionamento não é e nem precisa ser utilizado.
Exemplo: - Fulano, você assistiu tal filme?
- Sim Cicrano, eu gostei muito, me identifiquei com a personagem principal.
- Eu também gostei. Gosto muito daquela atriz.
E o assunto chega ao fim.
Isso poderia ser determinado, nominado uma conversação?
Curiosamente nesta semana li uma coluna de Luis Fernando Veríssimo que dizia sobre a "desconversa". Anônimos ou conhecidos ao estarem perto - num elevador, esperando o avião para embarcar, passando pela portaria do prédio - se satisfazem em perguntar e falar sobre o tempo:
-Esfriou hoje não?
Há como existir um desacordo conferindo o sentimento de cada um a respeito da temperatura vigente?
Se existir uma sorte maior pode-se até conseguir falar sobre a novela das 8.
Não sei se porque sou psicóloga ou por ser do jeito que sou acabei psicóloga, gosto de estórias, contadas de todas as maneiras: pelas pessoas, pelos filmes, pelos livros, pelas músicas e dialogo com elas. (As vezes um monólogo é mais instrutivo do que uma "conversa" à dois).
Me pergunto: Será que as pessoas cansaram de discutir ou elas nunca provaram o sabor de conversar verdadeiramente com o outro a ponto de no final da conversa estarem deliciosamente cansados?

terça-feira, 8 de julho de 2008

Séries de Tv


Não é uma opinião apenas minha: os seriados norte-americanos atualmente são muito mais divertidos, interessantes, inteligentes do que os filmes do mesmo país.

Nessas últimas semanas eu aluguei a quarta temporada de Lost e a terceira de Desperate Hosewives e os filmes "Onde os fracos não tem vez" e "Sweeney Todd, o barbeiro demoníaco da rua fleet". Haja vista que os filmes são respectivamente dos irmãos Coen e Tim Burton, achei que no mínimo me divertiria. Nem isso, cansaço e tédio.
Já com as séries eu consegui o que o cinema deveria te proporcionar: viajar outros mundos e interagir com as imagens que você vê, se identificar, sentir amor/ódio por personagens, torcer por alguma trama, debater determinados assuntos e outras mil coisas.
Conversando com o gerente da locadora que eu sou associada, ele me informou o que eu já pressentia: lucra mais com as séries que com os filmes propriamente ditos.

E há uma porção ali de fazer qualquer olhinho interessado e antenado brilhar: A Sete Palmos, Ally McBeal, Seinfield, Friends, Família Soprano, Heroes, Prison Break, Dr. House, The L Word, O Desafio, Alias, Sex and the City, Grey's Anatomy, Bones e Gilmore Girls entre outros.
Os roteiristas de cinema estão mal, mas os de tv estão impagáveis.

Recomendadíssimo!!

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Fim dos tempos

Ao assistir "Fim dos Tempos" do diretor M. Night Shyamalan, há a impressão de já tê-lo assistido antes. Mais um filme que divaga sobre catástrofes mundiais e pelo jeito não vai ser o único da temporada, na sala de cinema os trailers já anunciavam mais dois.
Qual o fascínio pelas catástrofes, sejam elas naturais ou produzidas pelo homem?
Acredito sempre no mote religioso por trás dessa questão: se a ciência e a tecnologia que supostamente deveriam intervir, pré-anunciar, evitar não o fazem é porque há o mesmo descrédito em relação a essas mesmas ciência e tecnologia: "Se Deus quiser, não há quem o impeça". E como argumentar com os religiosos de plantão sobre isso? Não há como argumentar tautologismos.
Outra questão é a falta de imaginação ou a solução fácil e rápida dada por esses filmes. A catástrofe acontece e na maioria das vezes não há explicação lógica ou razoável, passando longe do método filosófico e científico: conduzir por ordem os pensamentos, começando pelos mais simples e fáceis de conhecer, para subir, pouco a pouco, como por degraus".
Em "O Fim dos Tempos" por exemplo há uma boa introdução para seduzir quem assiste, anuncia-se o tema, mas não há exposição de idéias, a introdução acaba como uma promessa não cumprida do diretor em desenvolver o tema.
Como conversar, discutir sobre algo que não é desenvolvido e nem pode? Só religião e metafísica. E é exatamente isso o latente desse tipo de filme, colocam-se situações hipotéticas que jamais serão corroboradas ou refutadas, para lembrar, mesmo que inconscientemente, que existe algo maior que nós e contra isso ninguém pode, pena que não podemos reclamar o dinheiro da entrada do cinema também.

terça-feira, 24 de junho de 2008

O fim

Deixar alguém é sempre triste, até aqueles que conviveram anos com falta de carinho, de amor, de respeito. Porque quando acaba, muito da esperança vai junto, a esperança daquela vida que foi imaginada, planejada diariamente e que simplesmente não aconteceu.
Casamentos sempre terminam em crises de choro, em lamentações e tristezas e quando o casamento é bom e você, de alguma maneira escolhe, por razões que a vida impõe, deixar a pessoa que te faz bem, é ainda pior.
Ce la vie...

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Aniversário


Tem algumas lembranças que jamais serão apagadas.

Me lembro de quando eu era criança e muitas vezes preferia ao invés de brincar na rua ir para aquele quarto que ficava fora de casa, a do Jardim das Indústrias, cheio de livros seus e que você montou uma das prateleiras para eu colocar os meus gibis que você comprava toda semana. Imagino que seja daí o meu interesse por livros.

Lembro das vezes que eu te acompanhava à padaria e enquanto você bebia a sua cerveja, pedia um pedaço de pizza pra mim.
Lembro que comprava figurinhas e eu ficava toda feliz.

Me lembro de quando eu tirava notas muito ruins na escola e que eu tinha mais medo do que você podia me falar do que a mamãe, já que eu estava acostumada a levar umas surras dela, mas nunca de você.
Mas as minhas melhores lembranças são as mais recentes.

Nos últimos anos, você foi o meu melhor amigo. A gente falava de filmes, íamos ao cinema juntos, tomávamos café, ríamos e conversávamos.
Uma das imagens que eu mais gosto de lembrar é de você chegando da padaria, trazendo minha coca-cola e meu cigarro, preparando minha omelete ou minha pizza.

Me sentia bem e segura, mesmo muitas vezes, estando em lugares diferentes da casa, sabendo que estava acordado comigo de madrugada.
Me lembro do apoio em tudo que eu tentei profissionalmente, do carinho, do amor.
E nunca vou me esquecer do seu abraço aqui nessa quitinete onde agora estou.
Te amo mais do que as palavras podem dizer, meu pai.



Essa carta foi escrita duas semanas antes da morte do meu pai, e nunca foi enviada.

domingo, 15 de junho de 2008

Tudo que você não soube

"Não pode haver nexo em cobiçar a vida desses que se divertem tanto, numa situação tão idiota: areia, calor, água fria, mosquitos. Mas é que eu, numa praia, sou uma anomalia. À luz do sol, sem roupas, sou desvendada e exponho ao público minhas feridas". Fernanda Young.

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Mais uma vez

Decidi, hoje eu soube e não posso negar que me senti aliviada. Vou voltar para São Paulo e todo seu caos e sua beleza, voltar para a minha família e meus amigos queridos.
O que eu vou fazer? Ainda não sei, mas um dia eu descubro.
Deixo em Salvador uma grande amiga e as esperanças que eu cheguei e que aqui vão ficar.

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Sex and The City - O Filme




Como muitos amantes da série produzida pela HBO, fui conferir o longa, sem me preocupar com algumas críticas dizendo que o filme era longo demais, que poderia ser editado de uma maneira que parecesse mais ágil, que o tema principal havia se perdido e etc, etc.
Sim, o filme é longo. Sim, as vezes ele é lento, e na minha opinião, poderia ter sido editado em algumas ocasiões. Sim, o tema principal mudou. Estragou o resultado final? Não.
Poderia o tema central não ter mudado? Afinal de contas, minha gente, as fabulosas mulheres de Nova Iorque estão mais velhas e interessadas em outros assuntos. O erro não seria mostrar essas mesmas mulheres agora na casa de 40 e 50 anos com os mesmos interesses das mulheres de 20?

E não acredito que o filme assim como era a série tenha como assuntos principais, futilidades e apenas assuntos de mulheres. Isso eu também nunca entendi, o que são assuntos femininos e assuntos masculinos? Moda é assunto feminino e futebol é masculino? Poesia é coisa de mulherzinha e livros de detetives são coisa de macho? Isso é mais estereotipado do que os estereótipos que alguns dedicam à série e agora, ao filme.

E o que são futilidades? Num mundo povoado de revistas de fofocas, de famas repentinas, de danças do créu e derivados, falar de sexo, de sentimentos, de inseguranças, de medos, de vazios e de amor são futilidades? Será que a futilidade está no fato das personagens gostarem de sapatos Manolo, roupas Dior, Carolina Herrera e etc? Mas quais são as mulheres que não gostam? A diferença é que umas têm como gastar sua grana nisso, outras não conseguem pagar o aluguel. Mas a pergunta persiste: Seria o desejo de comprar esses utensílios uma futilidade?

Mas mais do que isso eu acredito que essas mulheres fabulosas tenham aberto caminho para tantas mulheres desejarem ser como elas: independentes, confiantes, e abertas à novas possibilidades. Será que isso também é politicamente incorreto?
Eu acredito na possibilidade de identificação e desaprovo o maniqueísmo de tantas críticas.

Sendo assim, salve salve Sex and The City, uma maneira televisiva e neste momento, cinematográfica inteligente, sensível e irônica.


sexta-feira, 6 de junho de 2008

Do amor...


Amor é quando não precisa-se dizer dele, é natural, é coisa de pele, é sentimento de urgência, é querer estar todo o tempo compartilhando os momentos em que choramos, rimos, fazemos coisa nenhuma.
É estar por estar, ficar por querer, tocar sem pedir, olhar por admiração e respeito.
É desejar uma casa ou uma cama, muitas vezes colocar um anel e fazer um pedido, é querer ter um filho e chorar quando descobre que ele vai existir.
É sonhar junto mesmo separado pela distância, pelo tempo, pelo trabalho, por burocracias da vida.

Do fundo do meu coração eu acredito que isso exista.
Não vou poder estar no casamento de minha irmã e provavelmente no nascimento do meu sobrinho, mas eu sei do amor...

terça-feira, 3 de junho de 2008

Amy Winehouse


No site da Mtv, foi publicado um texto de Rafa Losso, e eu publico aqui porque assino embaixo de tudo o que ele escreveu, apontou, sem julgamentos morais e críticas à conduta social da cantora e compositora britânica.

"Quando um artista iniciante define o rumo da sua obra, passa à História suas intenções, angústias e defeitos. Às vistas do sucesso comercial, vivencia a potencialização de tudo aquilo que impulsionou os primeiros passos de sua carreira.
Há aqueles que começam a cantar para fugir de seus problemas, e se atiram ao universo subjetivo da arte para curar as feridas da alma com os aplausos e a atenção do grande público.
Em nossa cultura ainda não conseguimos fornecer proteção suficente para aqueles que desenvolvem uma sensibilidade acima da média, mas não conseguem administrar seus próprios fantasmas depois que o show acaba. Para que possamos aprender sobre nós mesmos, incentivamos e cobramos a sinceridade suprema daqueles que escrevem letras e nos emocionam com o conteúdo das suas vivências. Mas ignoramos as pessoas atrás dos holofotes, aquelas que voltam para casa depois de expostas, esgotadas, sentindo-se humilhadas e em um estado extremamente vulnerável.
Amy Winehouse é uma artista completa em nossa concepção cultural. Suas músicas já viraram trilha sonora de nossos dias. Suas letras já foram incorporadas na maneira com que enxergamos o agora. Mas está sem condições de continuar.
As imagens do show que fez na última sexta-feira, frente às 90.000 pessoas do Rock in Rio Lisboa, formam um pedido por socorro, não o primeiro ou o último. Como tantos outros antes, é um pedido claro, estridente, feio. Tão incômodo que a maioria prefere ignorá-lo, como se fosse parte do espetáculo, um truque para emocionar os mais suscetíveis.
E a história de Amy Winehouse tem um agravante trágico: a cantora não assume a posição de vítima. Em coerência com as suas letras, insinua que está tudo sobre controle, e que o estilo de vida que vive é o que escolheu. Isenta a coletividade da responsabilidade que tem. Põe os calçados do mártir, como se outro caminho não existisse para a imortalização de uma obra.
E não sabemos o quê fazer com ela. Enquanto não soubermos, melhor seria se Amy Winehouse ficasse em casa, longe daqueles que formam uma verdadeira ameaça para sua vida. Nós."